Mikaelli Andrade

Mikaelli Andrade
Cachoeira Brejão/Coribe-Ba
”A água é o sangue da terra. Insubstituível. Nada é mais suave e ,no entanto , nada a ela resiste. Aquele que conhece seus princípios pode agir corretamente, Tomando-a como chave e exemplo. Quando a água é pura, o coração do povo é forte. Quando a água é suficiente,o coração do povo é tranquilo.” Filósofo Chinês no século 4 A.C

Buscar

"As preocupações ambientais contemporâneas originaram-se da percepção da pressão sobre os recursos naturais causadas pelo crescimento populacional e pela disseminação do modelo da sociedade de consumo"

Mostrando postagens com marcador Biodiversidade Vegetal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Biodiversidade Vegetal. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Queimadas levam governo a decretar emergência ambiental em 14 estados

Albari Rosa/Gazeta do Povo / Medida favorece produtores de cana, que pressionaram pela revisão da portaria do IAP Ministério do Meio Ambiente decretou estado de emergência ambiental em 14 estados e no Distrito Federal por causa do grande número de focos de queimadas. As informações são da Agência Brasil. Estão na lista Amapá, Amazonas, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima, Pará, Piauí, Tocantins, Bahia, Goiás e Minas Gerais.

Com o decreto, os estados podem contratar brigadistas para combater o fogo sem a necessidade de licitação, por exemplo. A portaria com a lista foi publicada ontem no Diário Oficial da União. Levantamento do Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), mostrava a existência de 1.178 focos de incêndio no país ontem.
O maior número foi registrado em Goiás, 892. Em seguida vem Tocantins (288), Bahia (239), Minas Gerais (203), Distrito Federal (31), Mato Grosso (17) e São Paulo (8).

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Saiba como denunciar queimadas

5286


Ibama oferece telefone de 'Linha Verde' para denúncias. Também é possível falar com Bombeiros e órgãos locais.


Tocantins é o estado em que a situação das queimadas é mais crítica, segundo o Ibama (Foto: Reprodução/TV Globo)
O tempo seco no Centro-Oeste e áreas do Norte tem aumentado o número de queimadas nessas regiões, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Para agilizar o combate aos focos de incêndio, o Ibama conta com o serviço da "Linha Verde", um canal de comunicação criado para denúncias a queimadas em todo o país.
"Além de denunciar por meio da Linha Verde, o cidadão deve acionar o órgão ambiental de seu estado e o Corpo de Bombeiros. É fundamental que sejam passadas todas as informações como localização, posição do incêndio, a gravidade da situação e, em caso de propriedades particulares, se possível, inclusive a identidade do proprietário. A identidade do denunciante será mantida sob sigilo", diz ao G1 Luciano Meneses Evaristo, diretor de proteção ambiental do Ibama.
Para avisar sobre as queimadas
Nacional    Ibama
0800-61-8080
linhaverde@ibama.gov.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Secretarias Estaduais do Meio Ambiente
AC    (68) 3223-3090
AL    (82) 3315-2680
AM    (92) 3642-4724
AP    (96) 3212-5310
BA    (71) 3115 6288
CE    (85) 3101-5520
DF    (61) 3355-8060
ES    (27) 3136-3441
GO    (62) 3201-5150
MA    (98) 3218-8956
MG    (31) 3915-1299
MS    (67) 3318-4100
MT    (65) 3613-7200
PA    (91) 3184-3349
PB    (83) 3218-5661
PE    (81) 3181-1700
PI    (86) 3216-2038
PR    (41) 3304-7700
RJ    (21) 2334-5906
RN    (84) 3232-2400
RO    (69) 3216-1065
RR    (95) 2121-9176
RS    (51) 3288-8100
SC    (48) 3029-9014
SE    (79) 3179-7310
SP    (11) 3133-3000
TO    (63) 3218-2600
O número é gratuito e funciona 24 horas. Para denunciar incêndios em seu estado basta ligar para 0800-61-8080 e detalhar, o máximo possível, a localização e a intensidade do incêndio. Denúncias também pode ser feitas pela internet, pelo e-mail: linhaverde@ibama.gov.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .
No caso de queimadas localizas às margens de rodovias, a Polícia Rodoviária Federal também deve ser acionada.
Segundo a assessoria de imprensa do Ministério do Meio Ambiente, além do Ibama, denúncias devem ser encaminhadas a órgãos ambientais estaduais e municipais, para agilizar o atendimento à ocorrência. A fiscalização dos casos de queimadas é feita pelo Ibama, segundo o ministério.
Alerta
Os estados em que a situação é mais grave, atualmente, são Tocantins, Mato Grosso, Rondônia e Pará. "O grande problema são as queimadas para a agricultura, para consolidar e implantar a pecuária, renovar pastos. Essa tecnologia rudimentar, com a baixa umidade relativa do ar, causa muitos transtornos e não dá para pensar em queimar", diz Evaristo.
A orientação do Ibama aos agricultores é que aguardem uma condição climática mais favorável, menos seca, para as queimadas. "A prática tem que ser interrompida imediatamente. Em Mato Grosso, por exemplo, estamos com mais de 1,5 mil focos de calor, e a queimada está proibida. Nem queimadas controlas são seguras nesta época do ano", afirma o diretor.
Em todo o país, cerca de 1,7 mil brigadistas do Ibama atuam no combate às chamas e fiscalização de queimadas, sem contar profissionais do Corpo de Bombeiros, do Instituto Chico Mendes e outros órgãos ambientais.

Fonte: Portal do Meio Ambiente 

sábado, 28 de agosto de 2010

Plantas crescem menos com aquecimento global

Ao contrário do que se estimava, elevação nas temperaturas tem reduzido a produtividade nas plantas, segundo análise dos últimos dez anos feita a partir de dados de satélite (Nasa)
O aquecimento global não tem feito as plantas crescerem mais, como se estimava, mas sim menos. Segundo um estudo publicado na revista Science, a produtividade dos vegetais tem decaído em todo o mundo.  Até então, achava-se que as temperaturas constantemente mais elevadas estariam estimulando o crescimento das plantas, mas a nova pesquisa, feita com dados de satélites da Nasa, a agência espacial norte-americana, aponta o contrário.
O motivo são as secas regionais, indica o estudo feito por Maosheng Zhao e Steven Running, da Universidade de Montana, segundo o qual a tendência na produtividade já dura uma década.
A produtividade é uma medida da taxa do processo de fotossíntese que as plantas verdes usam para converter energia solar, dióxido de carbono e água em açúcar, oxigênio e no próprio tecido vegetal.
O declínio observado na última década foi de 1%. Parece pouco, mas, de acordo com os autores da pesquisa, é um sinal alarmante devido ao impacto potencial na produção de alimentos e de biocombustíveis e no ciclo global do carbono.
“Os resultados do estudo são, além de surpreendentes, significativos no nível político, uma vez que interpretações anteriores indicaram que o aquecimento global estaria ajudando no crescimento das plantas mundialmente”, disse Running.
Em 2003, outro artigo publicado na Science, de Ramakrishna Nemani, do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa, e colegas, havia apontado um aumento de 6% na produtividade global de plantas terrestres entre 1982 e 1999.
O aumento foi justificado por condições favoráveis na temperatura, radiação solar e disponibilidade de água, influenciados pelo aquecimento global, que seriam favoráveis ao crescimento vegetal.
Zhao e Running decidiram fazer novo estudo, a partir de dados da última década reunidos pelo satélite Terra, lançado em 1999. Os cientistas esperavam pela continuidade da tendência anterior, mas verificaram que o impacto negativo das secas regionais superou a influência positiva de uma estação de crescimento mais longa, o que levou ao declínio na produtividade.
Segundo o estudo, embora as temperaturas mais elevadas continuem a aumentar a produtividade em algumas áreas e latitudes mais altas, nas florestas tropicais, responsáveis por grande parte da matéria vegetal terrestre, a elevação nas temperaturas tem diminuido a produtividade, devido ao estresse hídrico e à respiração vegetal, que retorna carbono à atmosfera.
O artigo Drought-Induced Reduction in Global Terrestrial Net Primary Production from 2000 Through 2009 (doi:10.1126/science.1192666), de Maosheng Zhao e Steven Running, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.
Fonte: Portal do Meio Ambiente

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A Importância dos Sistemas de Matas Ciliares

As matas ciliares são formadas por vegetais que acompanham os cursos de água ou lagos, cumprindo importantes funções na manutenção do regime hídrico da bacia hidrográfica, no sustento da fauna e na estabilidade dos ambientas. As matas ciliares são vegetais protegidas por legislação há mais de 30 anos pela Lei N° 4.771, de 15 de setembro de 1965, mas que mesmo assim vêm sendo inteiramente devastadas, seja para retirada de madeira, para exploração agropecuária ou simplesmente por ação antrópica indiscriminada. O Código Florestal foi instituído nas áreas cobertas ou não por vegetação nativa com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas. Estas peculiaridades conferem às matas ciliares um grande aparato de leis, decretos e resoluções visando sua preservação.
A legislação brasileira, através da Lei 4.771/65 garantiu a preservação das mata ciliares a partir da criação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) nas margens dos cursos de água, assim disposto:
O Congresso Nacional decretou e a seguinte Lei:
Artigo 1° - As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação, reconhecidas de utilidade às terras que revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, exercendo-se os direitos de propriedade com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem.
Parágrafo único - As ações ou omissões contrárias às disposições deste Código na utilização e exploração das florestas são consideradas uso nocivo da propriedade.
Artigo 2° - Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas:
a) ao longo dos rios ou de outro qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima seja:
1) de 30 (trinta) metros para os cursos d’água de menos de 10 (dez) metros de largura;
2) de 50 (cinqüenta) metros para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinqüenta) metros de largura;
3) de 100 (cem) metros para os cursos d’água que tenham 50 (cinqüenta) metros a 200 (duzentos) metros de largura;
4) de 200 (duzentos) metros para os cursos d’água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros;
5) de 500 (quinhentos) metros para os cursos d’água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros;
b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d’água, naturais ou artificiais;
c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d’água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinqüenta) metros de largura;
d) no topo de morros, montes, montanhas e serras;
e) nas encostas ou partes destas com declividade superior a 45° equivalente a 100% na linha de maior declive;
f) nas restingas, como fixadoras e dunas ou estabilizadoras de mangues;
g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais;
h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação.
Parágrafo único - No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observar-se-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo.
Essas matas desempenham o papel de filtro, o qual se situa entre as partes mais altas da bacia hidrográfica, desenvolvida para o homem para a agricultura e urbanização e a rede de drenagem desta, onde se encontra o recurso mais importante para o suporte da vida que é a água. As matas ciliares exercem também importante papel na proteção dos cursos d'água contra o assoreamento e a contaminação com defensivos agrícolas, poluentes, e sedimentos que seriam transportados para o curso d’água além de afetar diretamente a quantidade e a qualidade da água e conseqüentemente a fauna aquática e a população humana. Em muitos casos, se constituírem nos únicos remanescentes florestais das propriedades rurais sendo, portanto, essenciais para a conservação da fauna, sendo importantes também como corredores ecológicos, ligando fragmentos florestais e, facilitando o deslocamento da fauna e o fluxo gênico entre as populações de espécies animais e vegetais. Em regiões com topografia acidentada, exercem a proteção do solo contra os processos erosivos, sendo a água o principal fator de erosão dos solos. Mas para controlar e evitar a erosão são utilizadas práticas como:
a-Proteger o solo contra o impacto da água que cai da chuva, ou seja, revestir o solo para que a queda das gotas da chuva seja amortecida. Assim, pode-se diminuir o desprendimento das partículas minerais e organismos do solo. Esta cobertura pode ser constituída da palha, mato selecionado e ceifa do mato.
b-Diminuir a velocidade das águas através do preparo do solo e a adubação verde e orgânica, associadas às estruturas de infiltração forçada de água no solo, com os terraços e caixas de retenção, que provocam uma maior infiltração de água no solo e menor escoamento superficial. Essas medidas também contibuem para a regularização das vazões medidas dos mananciais.
c-Diminuir o volume das águas na enxurrada, pois quanto maior a quantidade de água na enxurrada maior erosão ela provoca. Algumas práticas não deixam as águas se unirem e se avolumarem. As águas são divididas e presas.
Estas práticas de conservação estão divididas em dois grupos:
a-Práticas de caráter mecânico: consiste no deslocamento de massas de solo para obter barreiras físicas que diminuem a velocidade da enxurrada.
b-Práticas de caráter vegetativo: consiste na instalação de material vegetal visando obter não só barreira física para diminuir a velocidade da enxurrada, mas também proteger o solo contra o impacto das gotas de água da chuva e evitar o desprendimento e salpicamento das partículas.
A conjunção desses fatores permite maior ou menor infiltração de água no solo, armazenamento ou escoamento desta em superfície e em subsuperfície, ocorrendo menor erosão do solo. A ação da água, como agente de erosão, depende da quantidade que cai sobre um determinado solo. Se esta for maior de que aquela que pode infiltrar-se, haverá o escoamento superficial denominada de erosão Laminar. Em áreas de encostas, a água superficial escore e vai formando a erosão de ravinamento que são sulcos ou incisões contínuos, estreitos e de pouca profundidade. O escoamento superficial da água somado ao subsuperficial dá origem às voçorocas, isto é, rasgões mais largos e mais profundos do solo do que as ravinas, com laterais bem inclinadas, geralmente com fundo plano ou chato, podendo atingir o lençol freático. Essas áreas são de difícil recuperação, podendo-se apenas controlá-las por meio do desvio superficial da água.
A recuperação das matas ciliares em locais onde a regeneração natural é dificultada pela forte alteração das condições naturais, alem de representar um alto custo para os agricultores que vem na necessidade de manutenção de plantio tornar-se uma das principais razões de elevação dos custos. O uso de sistemas agroflorestais como estratégicas para recuperação de matas ciliares não é permitido pelos órgãos ambientais, em função da ausência de informações sobre as vantagens e desvantagens para esse uso especifico.
Com a perda da vegetação florestal e a conversão do terreno a outros usos ocorrem grandes problemas nas reservas de água doce, colocando em perigo a sobrevivência de milhões de pessoas e prejudicando o meio ambiente. Neste caso as matas ciliares atuam como barreiras protegendo os rios, córregos e nascentes, impedindo que a terra desbarranque ao proteger de terra e lixo, evitando-se o chamado “assoreamento” que ocorre em regiões rebaixadas como o fundo de vales, rios, mares ou qualquer outro lugar em que o nível de base da drenagem permita um processo deposicional de elevação da superfície. Se não houver essa proteção, fatalmente ocorrerá o fim da água, pois ocorrerá o aterramento dos rios. Em áreas urbanas, a mata ciliar é substituída por casas e ruas, resultando em alagamentos em épocas de cheias. Apesar de sua conservação ser garantida por lei, são raríssimos os casos em que os limites estabelecidos tem sido observados.
A mata ciliar vem desaparecendo muito rapidamente devido à ação do homem que ocupa as várzeas com plantações e pastagens, o despejo de enormes quantidades de lixo e esgotos nos rios, a falta de planos para a utilização racional e adequada das florestas, além de agravarem o problema das enchentes, reduzem a produtividade agrícola e provocam o acúmulo de material nas barragens e nos fundos dos rios. Outro problema grave é o desmatamento provocado pelo homem fazendo com que sofra alterações climáticas, pois a vegetação é responsável pela regularização da temperatura e da umidade, além de contribuir para uma melhor ventilação.
A importância das matas ciliares, do ponto de vista do interesse de diferentes setores de uso da terra, são bastante conflitantes. Para os pecuaristas, representam obstáculo ao livre acesso do gado à água; para a produção florestal, representam sítios bastante produtivos, onde crescem árvores de alto valor comercial; em regiões de topografia acidentada, proporcionam as únicas alternativas para o traçado de estradas; para o abastecimento de água ou para a geração de energia, representam excelentes locais de armazenamento de água visando garantia de suprimento contínuo. Sob a ótica da hidrologia florestal, por outro lado, ou seja, levando em conta a integridade da microbacia hidrográfica, as matas ciliares ocupam as áreas mais dinâmicas da paisagem, tanto em termos hidrológicos, como ecológicos e geomorfológicos. Estas áreas têm sido chamadas de Zonas Ripárias, que estão intimamente ligadas ao curso d'água, mas os seus limites não são facilmente demarcados. As zonas ripárias têm sido consideradas como corredores extremamente importantes para o movimento da fauna ao longo da paisagem, assim como para a dispersão vegetal. A zona ripária desempenha sua função hidrológica através dos seguintes processos:
  • Geração do escoamento direto em microbacias;
  • Quantidade de água;
  • Qualidade da água;
  • Ciclagem de nutrientes;
  • Interação direta com o ecossistema aquático.
Visando buscar soluções para os problemas relacionados à reconstituição, manutenção e proteção das áreas de preservação permanente, tendo como foco as matas ciliares, criou-se um projeto com incentivos do Governo do Estado do Paraná sob a coordenação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos - SEMA, com a Secretaria de Estado do Planejamento - SEPL e Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento – SEAB, com suas respectivas Instituições vinculadas, e com apoio de um comitê assessor interinstitucional, tendo como prioridades:
  • Ações de recuperação e preservação de matas ciliares em 100 bacias hidrográficas com manancial de captação superficial para abastecimento público;
  • Ações de recuperação e conservação de matas ciliares no entorno de todas as unidades de conservação de proteção integral do Estado e em cada uma das bacias dos rios que integram ao projeto de Corredores da Biodiversidade;
  • Recuperação e preservação das matas ciliares em cada uma das microbacias hidrográficas trabalhadas pelo Programa Paraná 12 Meses;
  • Plantar 90 milhões de árvores de espécies nativas específicas para restauração de matas ciliares;
  • Desenvolver, de forma complementar, à recuperação da mata ciliar, ações de conservação de solos, uso adequado de agroquímicos e saneamento ambiental;
  • Implantar sistema geo-referenciado para monitoramento do projeto Mata Ciliar.
A ação do homem tem provocado uma série de perturbações no funcionamento desse bioma. O manejo das bacias hidrográficas nunca apresentou uma preocupação com a conservação dos recursos naturais renováveis para uma exploração sustentável. A idéia de que recursos abundantes eram considerados inesgotáveis e por isto o ambiente poderia ser explorado livremente, sem nenhuma restrição. O resultado deste processo de degradação e as suas conseqüências ambientais são visíveis em todas as bacias hidrográficas. Com o adensamento populacional próximo aos cursos d’água, a qualidade ambiental das bacias hidrográficas vêm se deteriorando. Para que tal situação não permaneça assim, é preciso realizar medidas de proteção ambiental com planejamentos regionais, nacionais e internacionais, envolvendo a obtenção do conhecimento científico e o esclarecimento de toda a população.
Autora: Fabiane Silva Santos

Fonte: CENED

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Cerrado vai sumir em 2030, indica ONG

Queimadas, crescimento e expansão da fronteira agrícola são os motivos
Dos 204 milhões de hectares originais, 57% já foram completamente destruídos e a metade das áreas remanescentes está bastante alterada, podendo não mais servir à conservação da biodiversidade. Só esse número já revela tamanho o poder do homem sobre a natureza nesse último século. Responsável pela expansão da fronteira agrícola, pelas queimadas e pelo crescimento não planejado das áreas urbanas estamos vivendo um reflexo do que desmatamos no passado.
Estudos da ONG ambientalista Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil) indicam que o cerrado deverá desaparecer até 2030. Informações apontam ainda que a taxa anual de desmatamento no bioma é alarmante, chegando a 1,5%, ou 3 milhões de ha/ano. Entre as regiões mais afetadas da degradação está Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso, no Triângulo Mineiro e no oeste da Bahia.
Esses dados contemplam um resultado do estudo feito a partir de imagens satélites, uma parceria da CI-Brasil com a ONG Oréades. “O cerrado perde 2,6 campos de futebol por minuto de sua cobertura vegetal. Essa taxa de desmatamento é dez vezes maior que a da Mata Atlântica, que é de um campo a cada 4 minutos”, explica Ricardo Machado, diretor da CI-Brasil.
Segundo ele muitos líderes e tomadores de decisão defendem, equivocadamente, o desmatamento do cerrado só porque não é coberto por densas florestas tropicais, como a Mata Atlântica ou a Amazônia. “Essa posição ignora o fato de o bioma abrigar a mais rica savana do mundo, com grande biodiversidade, e recursos hídricos valiosos para o Brasil. Nas suas chapadas estão as nascentes dos principais rios das bacias Amazônica, do Prata e do São Francisco”, completa o estudioso.
Nos problemas pautados, o principal deles é o desmatamento no cerrado, como a degradação de rios importantes como o São Francisco e o Tocantins, e a destruição de hábitat que compromete a sobrevivência de milhares de espécies, que só ocorrem ali e em nenhum outro lugar do Planeta, como o papagaio-galego (Amazona xanthops) e a raposa-do-campo (Dusicyon vetulus).
Junto com a biodiversidade estão desaparecendo ainda as possibilidades de uso sustentável de muitos recursos, como plantas medicinais e espécies frutíferas que são abundantes no cerrado. De acordo com o gerente do programa do Cerrado da Conservação Internacional Brasil e coautor do estudo, especialistas ainda mapearam os principais remanescentes desse bioma, analisando a situação de sua cobertura vegetal.
“Esses dados serão incorporados à nossa estratégia de conservação para o bioma, que está baseada na implementação de corredores de biodiversidade”. Seis corredores de biodiversidade em regiões do Cerrado já estão sendo implantados: Emas-Taquari, Araguaia, Paranã, Jalapão, Uruçuí-Mirador e Espinhaço. O IBAMA, a SEMARH - Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado de Goiás, a Universidade de Brasília e ONGs locais estão entre os parceiros da CI-Brasil nesses corredores.
Especialistas informaram que para frear a destruição do Cerrado os investimentos do Governo Federal na próxima safra agrícola devem incluir ações de conservação, especialmente na proteção de mananciais hídricos, na recuperação de áreas degradadas e na manutenção de unidades de conservação.
Para o tutor do Portal Educação, biólogo Carlos Lehn, é preciso investir na manutenção de áreas. “Precisamos urgentemente de uma política séria voltada para a preservação do cerrado. Trata-se do segundo maior bioma da América do Sul e que reúne um grande número de espécies endêmicas da flora do Brasil”, explica.
Fonte: Portal Educação

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Queimadas destroem parte do Cerrado brasileiro

A estiagem deste ano aumentou em 85% o número de focos de queimadas em relação a 2009. Entre os Estados que lideram o ranking da destruição estão o Mato Grosso, com 6.693 focos; Tocantins, com 4210; Pará, com 2.526 e Bahia, com 2.020.
No sudoeste de Goiás, o fogo já destruiu mais da metade do Parque Nacional das Emas. O Parque possui a maior reserva de cerrado do país, com uma área de 131.800 hectares, e a suspeita é de que o foco começou devido a um curto circuito de uma fazenda vizinha. Segundo o Inpe, a previsão é de que o cerrado leve de cem a 200 anos para se recuperar.
Já em Tocantins, que possui 87% do território na vegetação do cerrado, as queimadas estão fora de controle em 26 cidades. 500 novos focos de incêndio foram registrados ontem pelos órgãos ambientais, somando 4,2 mil desde janeiro deste ano.
Em Cuiabá, capital do Mato Grosso, as unidades de saúde registraram um aumento de 40% no número de atendimentos a pacientes com problemas respiratórios. Na cidade de Marcelândia, localizada a cerca de 700 km da capital, o incêndio que atingiu o setor industrial e parte do Parque Municipal Buriti destruiu 15 madeireiras e 100 casas, deixando centenas de famílias desabrigadas. A fumaça pode causar problemas no pulmão, garganta, nariz e olhos, agravando problemas como a bronquite, asma alérgica, irritação na traqueia, laringe e faringe, rinite e conjuntivite.
Segundo o Inpe, o número de focos não aumentava desde 2007. A estação seca é uma das responsáveis pelo aumento da destruição e a previsão é de que a estiagem se prolongue até outubro. A vegetação seca somada ao vento ajuda a espalhar as queimadas, que chegaram a 90 mil só no mês de agosto, contra 17 mil no ano passado – um aumento de 500%.
Pedido de suspensão de queima da cana envolve 53 municípios paulistas
O Ministério Público Federal pediu ontem que a Justiça suspenda imediatamente a queima controlada de cana de açúcar em 53 municípios da região de Ribeirão Preto –SP. O embargo também abrange as queimadas que já foram autorizadas pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado e exige a emissão de novas autorizações por parte da Secretaria, além de um novo licenciamento pelo Ibama. O MPF propõe que o órgão federal solicite o Relatório de Impacto Ambiental para autorizar as queimadas e leve em conta as conseqüências para o meio ambiente e a saúde. Em entrevista ao Estado de S. Paulo, o procurador Andrey Borges de Mendonça afirma que a queima da palha lança na atmosfera grande quantidade de poluentes nocivos.
Fonte: Estado de S. Paulo, G1 notícias

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Pequi, Conheça um pouco desse fruto!!


O pequi é uma árvore nativa do cerrado brasileiro, cujo fruto, embora muito utilizado na cozinha nordestina, do centro-oeste e norte de Minas Gerais, é considerado tipicamente goiano.
Dele é extraído um azeite denominado azeite de pequi. Seus frutos são também consumidos cozidos, puros ou juntamente com arroz e frango. Seu caroço é dotado de muitos espinhos, e há necessidade de muito cuidado ao roer o fruto, evitando cravar nele os dentes, o que pode causar sérios ferimentos nas gengivas. O sabor e o aroma dos frutos são muito marcantes e peculiares. Pode ser conservado tanto em essência quanto em conserva.


Ocorrência

Símbolo da cultura do estado brasileiro de Goiás, o pequi pode também ser encontrado em toda a região Centro-Oeste (considerada a capital da fruta) e nos estados de Rondônia (ao leste), Minas Gerais (norte e oeste), Pará (sudoeste), Tocantins, Maranhão (extremo sul), Piauí (extremo sul), Bahia (oeste), Ceará (sul), e nos cerrados de São Paulo e Paraná. Em Goiás podem ser encontradas todas as variedades, cuja frutificação ocorre entre os meses de setembro e fevereiro. Está na lista de espécies ameaçadas do estado de São Paulo.

É encontrado também na Bolívia Esse fruto é da região do Tocantins bastante utilizado na nossa culinaria, temos uma cidade com o nome de Pequizeiro em homenagem ao fruto esta cidade esta localizada na região norte do Tocantins onde celebra a festa do pequi todos os

anos. --Luciana Aires 00h04min de 25 de maio de 2010 (UTC)

Usos

Nas antigas vilas de Meia Ponte (hoje Pirenópolis), e Vila Boa, ainda no

início do século XVIII, o pequi começa a ser utilizado na culinária de Goiás. Na região que circunda a cidade industrial de Catalão, o pequi era utilizado tão somente para a fabricação do Sabão d

e Pequi, de propriedades terapêuticas.O fruto pode ser apreciado em variadas formas: cozido, no arroz, no frango, com macarrão, com peixe, com carnes,

no leite, e na forma de um dos mais apreciados licores de Goiás. Além de doces e sorvetes.Sua polpa macia e saborosa deve ser comida com bastante cuidado, uma vez que a mesma recobre uma camada de finos espinhos que, se mordidos, fincam-se na língua e no céu da boca, provocando dores intensas, risco este que deixa de existir, uma vez assimilada a técnica de degustação que é de fácil aprendizado. Deve ser comido apenas com as mãos, jamais com talheres. Deve ser levado a boca para então ser "raspado" - cuidadosamente - com os dentes, até que a parte amarela comece a ficar esbranquiçada e parar antes que os espinhos possam ser vistos. O fruto do pequizeiro, por ser rico em óleo já foi muito utilizado na fabricação de sabão caseiro pelos moradores rurais do Tocantins, que não tinham fácil acesso ao produto industrializado.

Na fabricação do sabão, a massa do fruto era misturada a um líquido retirado das cinzas de uma árvore conhecida popularmente por "Mamoninha", essa mistura era levada ao fogo e produzia um sabão vegetal de cor preta brilhante, bastante macio, que era usado para lavar roupas,utensilios e principalmente para a higiene pessoal,pois segundo as pessoas que o fabricavam o produto fazia bem para a pele e cabelo.

Propriedades do pequi

Recentemente, foi descoberta uma propriedade incrível do óleo de pequi, que antes mesmo de poder ser explorada pelo Brasil, já foi patenteada pelos japoneses. Ela foi recentemente batizada de CSL, ou "Chemical strengthener layer". Segundo as pesquisas, basta adicionar 50ml de óleo de pequi para cara 4l de óleo mineral, para que se consiga o efeito da super dureza em qualquer material metálico, e ele inclusive aumenta a carga de molas se for aplicado uniformemente. Existem testes em motores com cabeçotes totalmente originais, girando mais de 10.000 rotações por minuto, sem indícios de fadiga ou quebra.

Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Pesquisador acha planta que neutraliza veneno da surucucu


Surucucu, a maior serpente venenosa da América do Sul; pesquisador encontra planta que neutraliza seu veneno

Uma árvore de quatro a seis metros de altura pode ser a nova arma contra o veneno da surucucu, a maior serpente venenosa da América do Sul.

Uma pesquisa realizada na UFF (Universidade Federal Fluminense) constatou que um extrato feito a partir da Stryphnodendron barbatiman, popularmente chamada de barbatimão, barba-de-timão, casca da virgindade ou ubatima, é capaz de neutralizar os principais efeitos provocados pela picada da cobra.

A descoberta poderá levar ao desenvolvimento de um novo tratamento contra o veneno da surucucu, que provoca dor intensa, hipotensão, diminuição do ritmo cardíaco, diarreia e hemorragia.

A cobra está presente em todo o território nacional e, entre 2001 e 2004, respondeu por 2,3% dos ataques registrados no Brasil. Seu índice de letalidade, porém, é quase três vezes maior do que o das serpentes do gênero Bothrops, que respondem por 90% dos ataques no país --cerca de 1% das vítimas da surucucu morrem após serem picadas.

SORO ANTIOFÍDICO

Atualmente, o procedimento preconizado pelo Ministério da Saúde em casos de picada de cobras venenosas é a administração de soro antiofídico, produzido a partir de anticorpos produzidos por cavalos inoculados com o veneno.

O soro, porém, tem as desvantagens de ser caro, necessitar de estocagem em baixas temperaturas e provocar reações alérgicas graves em parte dos pacientes. Além disso, é ineficaz contra os efeitos locais das picadas, que muitas vezes deixam sequelas.

Em busca de alternativas de tratamento, o pesquisador Rafael Cisne de Paula pesquisou 12 espécies diferentes de plantas como parte do seu trabalho de mestrado em Neuroimunologia na UFF.

Dessas, apenas uma se mostrou totalmente ineficaz. O extrato produzido a partir da barbatimão, porém, foi o único que conseguiu inibir em mais de 80% os principais efeitos do veneno analisados, impedindo inclusive o desenvolvimento de hemorragias.

Não foi testada, porém, a eficácia da planta sobre a formação de edemas e outras consequências da picada.

Os testes foram realizados em camundongos e, por enquanto, ainda não se sabe qual o mecanismo de ação da planta. Estudos posteriores poderão identificar e isolar os componentes responsáveis pelos efeitos neutralizantes.

Fonte: Folha de São Paulo

terça-feira, 27 de julho de 2010

Reposição florestal


A madeira nos acompanha do berço ao túmulo, revelando sua importância sobre nossas vidas e até na morte.

A Reposição Florestal nasceu da lei n. 4.771 de 15 de setembro de 1965 - (código florestal) e apesar de funcionar bem em diversos estados, como São Paulo e Rio Grande do Sul, ainda não foi implementada no estado do Rio de Janeiro. Esta legislação abre possibilidades de a sociedade se organizar para encontrar seus próprios caminhos, enfrentando o problema.

Em nível nacional, existe a Confederação Nacional de Reposição Florestal – CONFLORA, que representa o conjunto das federações estaduais e, esta, as associações de reposição florestal de cada estado. Nos dez estados em que a associação está presente os de maior representatividade são os de São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As associações existem desde 1987 e respondem pelo plantio de mais de 80 milhões de árvores em todo o País.

A finalidade essencial da reposição é reproduzir lenha e madeira para pequenas e médias indústrias de construção civil, cerâmicas, padarias, serrarias, etc., e evitar que este consumo atinja as pequenas áreas remanescentes de florestas nativas, principalmente nos estados de maior densidade populacional e atividade agrícola.

As associações prestam também outras atividades. Pela lei 4.771, de 1965 - Código Florestal -, quem derrubar árvores é obrigado a replantá-las para suprir seu consumo. Aos pequenos e médios, sem propriedades, porém interessados em reflorestar, as associações se propõem a repassar-lhes recursos proporcionais ao consumo fixado por resolução do IBAMA, criar e manter viveiros para produção de mudas e prestar assistência técnica a custo zero. O arrecadado com a comercialização desta reposição pertencerá ao produtor rural.

As Associações de Reposição Florestal se dispõem, também, a criar maciços florestais em áreas de reforma agrária e projetos de pequenas florestas como renda alternativa à agricultura familiar. Para tanto, foi criada uma primeira unidade demonstrativa para servir de multiplicador no município de Nossa Senhora do Livramento (MT). Com as associações de reflorestamento e os comitês de Bacias Hidrográficas há entendimentos para reposição florestal também nas margens de vários rios com intensos desmatamentos.

Cerca de 95 por cento dos reflorestamentos são de espécies exóticas - pinus e eucalipto - de crescimento mais rápido e maior rentabilidade. O restante é de espécies nativas.

Colocar em funcionamento uma Associação de Reposição Florestal é evoluir do discurso teórico, cujos resultados são lentos, para ações concretas em favor do meio ambiente. Trata-se de assumir uma postura positiva, organizando a produção florestal e não apenas ficando a lamentar a implacável pressão da demanda por produtos florestais gerada pela sociedade, com suas implicações na devastação das matas nativas.


Após formalizada a Associação, seu mecanismo de funcionamento baseia-se no fato de que todo o consumidor de madeira, definido em lei, é obrigado a fazer reposição florestal. A reposição deve ser proporcional ao consumo efetuado, na razão de quatro (4) árvores para cada metro estéreo de lenha consumido e de seis (6) árvores para cada m3 de tora serrada.

As empresas consumidoras de madeira associadas passam a fazer pagamentos em dinheiro em favor da entidade e esta última assume o compromisso de prestar informações ao IBAMA RJ, atestando a quitação da reposição obrigatória. A Associação, em lugar das empresas, também compromete-se a administrar e canalizar integralmente os recursos arrecadados, destinando-os à implantação de florestas.

Agricultores com propriedades rurais dentro dos limites dos municípios abrangidos pela Associação, são selecionados e treinados para posteriormente receberem mudas florestais, assinando um contrato onde comprometem-se com um índice mínimo de aproveitamento de mudas, devendo adotar técnicas recomendadas para o plantio, manutenção e manejo.

O Proprietário rural é o maior beneficiado pois recebe o projeto técnico, a assistência e as mudas de pinus ou eucalipto de forma gratuita com responsabilidade, e faz o plantio. Cuida dessa floresta econômica por cinco anos e depois destina como quiser, ficando com o lucro da empreitada. A assistência técnica é feita pela Associação de Reposição Florestal, em parceria com organizações profissionais, orientando o micro e pequeno proprietário na escolha da área ideal para o plantio, além de outros assuntos como conservação do solo, proteção de nascentes etc.

A legislação prevê que um percentual de mudas de espécies nativas também deverá ser distribuída e deverão ser destinadas, preferencialmente, para a recomposição da Reserva Florestal Legal e a proteção de nascentes, matas ciliares e APPS – Áreas de Preservação Permanente nas propriedades rurais.

Entre as inúmeras vantagens destacam-se:

A) Os consumidores participantes de uma Associação, desde que efetuem os pagamentos estabelecidos, cumprem com a obrigatoriedade legal de reposição florestal, de forma pouco onerosa e desburocratizada. Recebem como benefício direto, a garantia futura do fornecimento de matéria-prima, provavelmente a preço compatível, para a manutenção de suas atividades empresariais e de sua função social. Forma-se um ciclo estável de produção e exploração de florestas. Sem este mecanismo persistiria a tendência de diversas empresas do setor florestal fecharem suas portas por falta de madeira.

B) O consumidor de madeira, contribuinte com a entidade, pode também ser beneficiário do programa, recebendo mudas florestais e acompanhamento técnico, desde que manifeste interesse e detenha a propriedade ou posse de imóvel rural.

C) A reposição florestal passa a ser efetuada estritamente nos municípios onde ocorre o consumo, não mais havendo evasão de recursos de reposição. Com isso, mesmo o consumidor de madeira não possuindo terra para fazer seu reflorestamento, agricultores da vizinhança podem fazê-lo por ele, barateando custos de transporte da futura produção.

D) Os consumidores de madeira associados têm acesso contínuo às informações sobre a aplicação dos recursos financeiros por eles destinados à entidade, podendo comprovar o surgimento anual de diversos povoamentos florestais. Esta estratégia de trabalho extingue a existência dos chamados "projetos papéis" de reflorestamento, que apesar de planejados e legalizados, jamais eram implantados.

Para a Sociedade, da qual o consumidor de madeira associado também faz parte, podem surgir inúmeros benefícios ambientais, pois a oferta de matas plantadas reduzirá a pressão sofrida hoje pelas poucas matas nativas remanescentes, sendo possível preservá-las. Por outro lado, o possível aumento, ou pelo menos a não redução da cobertura florestal atual, cujo índice mínimo desejável seria de 20%, influirá diretamente como um fator de qualidade de vida.

A existência de produção florestal oriunda de matas implantadas garante o suprimento futuro de madeira para as atividades humanas.

Os programas de fomento florestal tradicionais pecam por serem incompletos. Preocupam-se apenas em fornecer as mudas florestais, às vezes de qualidade duvidosa, sem orientar tecnicamente os agricultores beneficiários. Devem-se a isto as frustrações e o baixo índice de resultados concretos obtidos naquele tipo de fomento. Comparativamente, uma Associação de Reposição Florestal, com seus colaboradores, é inúmeras vezes mais eficiente no fomento florestal, pois age em todo o sistema produtivo florestal, organizando todos os esforços da EMATER, das Prefeituras Municipais e de outros envolvidos, evitando paralelismo e antagonismo. As associações podem atuar da seguinte forma:

- Na genética florestal, oferecendo sementes geneticamente superiores aos viveiros florestais fornecedores;

- Na qualidade das mudas, estabelecendo padrões de qualidades a serem adotados na produção das mudas destinadas ao programa;

- No acesso às mudas, transportando-as para pontos as vezes distantes, que seriam inacessíveis para um produtor rural isolado;

- Na diminuição das perdas de implantação, oferecendo orientação segura e confiável para produtores rurais reflorestadores, através de técnicos engajados no programa;

- No fornecimento de mudas para plantio, oferecendo-as a preço subsidiado ou gratuitamente para os produtores rurais;

- No fornecimento de mudas para o replantio, melhorando o aproveitamento do espaço físico rural e o rendimento florestal por unidade de área;


- Nos tratos culturais e manejo florestal, realizando visitas técnicas periódicas aos proprietários rurais, bem como palestras, cursos e dias de campo;

- Na garantia de mercado, informando sobre o valor do produto florestal e apontando os consumidores de madeira como prováveis compradores da madeira produzida;

- Na indicação de possibilidades de verticalização, organizando consumidores e produtores, visando industrializar ao nível máximo a produção florestal, antes de ser colocada no mercado.

Convido a todos os interessados em participar deste debate a ingressarem nos grupos que criei na Internet e que são de acesso gratuito e livre:

FÓRUM DA REPOSIÇÃO FLORESTAL - livre e destinado exclusivamente ao debate e troca de informações sobre a REPOSIÇÃO FLORESTAL. Qualquer pessoa pede inscrição enviando e-mail para: forumdereposicaoflorestal-subscribe@yahoogrupos.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Preparei este texto básico que deu origem ao projeto de Lei 3058/2002:

_________________________________________________

PROJETO DE LEI Nº 3058/2002

EMENTA: “DISPÕE SOBRE A REPOSIÇÃO FLORESTAL NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS".

Autor(es): Deputado ANDRÉ CORRÊA

A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO RESOLVE:

Art. 1º - As pessoas físicas ou jurídicas que exploram, utilizam, industrializam, transformam, armazenam ou consomem lenha, carvão vegetal ou qualquer outro produto ou subproduto de origem florestal do Estado do Rio de Janeiro, ficam obrigadas à reposição florestal em conformidade com o volume de seu consumo anual integral, mediante o plantio de espécies adequadas às condições regionais e a utilização de técnicas que garantam a manutenção da biodiversidade e o manejo compatível com o ecossistema local.

§1º - O atendimento ao disposto no caput poderá ser realizado através de projetos próprios ou pela execução e/ou participação em programas de fomento junto a cooperativas, associações de reposição obrigatória ou instituições públicas de extensão rural ou florestal, aprovados pelo órgão florestal competente.

§ 2º – A reposição florestal de que trata este artigo poderá ser realizada tanto com espécies nativas quanto com exóticas, desde que respeitado o percentual mínimo de 10% (dez por cento) de espécies nativas, dando-se preferência, dentre estas, às ameaçadas de extinção.

§ 3º – As áreas de preservação permanente e de reserva florestal legal não serão computados no cálculo da reposição florestal.

§ 4º - A comprovação do atendimento ao disposto neste artigo dar-se-á junto ao órgão responsável pela política florestal do Estado e será realizada mediante a apresentação de um Projeto de Reposição Florestal Obrigatória - PRFO, demonstrativo de fontes de suprimento de matéria-prima florestal através de plantio próprio, em participação com terceiros, através de áreas nativas passíveis de manejo florestal sustentado, voltado ao abastecimento da unidade consumidora.

§ 5º - O órgão florestal estadual estabelecerá a metodologia, os critérios e os parâmetros para a comprovação do atendimento ao disposto neste artigo, visando programar a produção de matéria-prima florestal que atenda, gradativamente, a demanda de cada unidade industrial.

§ 6º - As empresas que comprovarem excedentes anuais sobre os níveis mínimos de suprimento previsto neste artigo poderão requerer que estes volumes excedentes sejam levados a seu crédito para compensação de eventuais de seu cronograma.

§ 7º - O não cumprimento do disposto neste artigo, quando constatado através de vistorias, acarretará multa e/ou embargo à unidade industrial.

I – Para os efeitos desta lei, as pessoas físicas ou jurídicas que exploram, utilizam, industrializam, transformam, armazenam ou consomem matéria prima florestal são:

a) as indústrias siderúrgicas;

b) as indústrias metalúrgicas;

c) as fábricas de celulose, aglomerados e similares;

d) as indústrias de serrarias, carpintarias, madeiras, compensados e laminados, chapas de fibra de madeira, marcenaria e móveis;

e) as indústrias de cerâmicas, olarias, calcinação e cimenteiras;

f) as indústrias alimentícias e de bebidas;

g) as indústrias pneumáticas;

h) as indústrias de vestuário;

i) os secadores de grãos;

j) as fábricas de fósforos;

l) outros produtores, consumidores e afins assim considerados pelo órgão competente.

II – Os Projetos de Reposição Florestal Obrigatória – PRFO, para serem aprovados, deverão observar, no mínimo, entre outras exigências a serem previstas na regulamentação desta Lei:

a) ser elaborados por profissional habilitado;

b) adotar o princípio de manejo florestal sustentado;

c) ser implantados no território do Estado do Rio de Janeiro e num raio máximo de 100km (cem quilômetros) das unidades consumidoras;

d) Comprovada a existência de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de reserva florestal legal e a presença de vegetação considerada de preservação permanente na propriedade onde será efetuada a reposição.”

e) comprovar o plantio de espécies e/ou a utilização de tecnologias adequadas à regeneração natural, de forma a assegurar a assegurar a maximização da matéria-prima desejada;

f) previsão de corte em intervalos adequados, bem como o uso de práticas convenientes;

g) demonstrar cálculos e compromisso de certificação dos créditos de carbono, quando houver adicionalidade comprovada por instituição competente;

h) destinar um percentual mínimo de 20% (vinte por cento) anual de excedentes de espécies nativas para plantio na propriedade e doação para recuperação de áreas degradadas;

i) anexar demonstrativo de publicação, no mínimo, de um resumo detalhado em jornal especializado em meio ambiebnte e outro de grande circulação no município, onde a empresa desenvolve as suas atividades, com informações que possibilitem a consulta e manifestações públicas que subsidiem a autoridade na análise do projeto, que poderá solicitar audiência pública e exigir a publicação dos resultados.

Art. 2º - Estão isentas da obrigatoriedade de que trata esta Lei as pessoas físicas ou jurídicas que, comprovadamente,

I – Utilizem resíduos provenientes de atividade industrial, tais como costaneiras, aparas, cavacos e similares;

II - utilizem em sua atividade industrial madeireira (costaneiras, aparas, serragem ou similares) ou resíduos oriundos de exploração de florestas plantadas;

III - utilizem matéria-prima florestal, beneficiada ou semi-beneficiada, que sejam adquiridas de pessoas físicas ou jurídicas, obrigadas a manter ou formar florestas próprias, destinadas ao seu cumprimento;

IV - utilizem matéria-prima florestal proveniente de outro Estado da Federação ou de outro País, desde que comprovada a reposição florestal na localidade de origem da matéria-prima florestal;

V - Utilizem matéria-prima proveniente de florestas plantadas com recursos próprios e não vinculadas à reposição florestal necessária ao suprimento de atividade utilizadora e produto florestal.

Art. 3º - Para cumprimento desta Lei, as pessoas físicas ou jurídicas ficam obrigadas a efetuar seu cadastramento junto ao órgão florestal estadual, no prazo máximo de três meses, a partir da promulgação desta Lei.

§ 1º - O órgão florestal estadual promoverá levantamento das unidades industriais previstas nesta lei, bem como procederá fiscalização periódica.

§ 2º - O não cumprimento do disposto neste artigo acarretará notificação, multa e/ou embargo.

Art. 4º - Os órgãos governamentais estaduais encarregados da implementação das políticas florestais poderão determinar a realização de auditorias florestais periódicas ou ocasionais, às expensas dos interessados, para a comprovação de denúncias ou verificação do andamento do projeto de reposição florestal, estabelecendo diretrizes e prazos específicos.

Parágrafo Único - As auditorias florestais deverão ser realizadas preferencialmente por instituições sem fins lucrativos, desde que asseguradas a capacitação técnica, as condições de cumprimento dos prazos e valores globais como aqueles propostos por outras equipes técnicas ou pessoas jurídicas.

Art. 5º – Na ocorrência de sucessão de empresas ou de arrendamento de instalações industriais, a sucessora ou arrendatária se sub-rogará nas obrigações da sucedida ou arrendadora.

Art. 6º – Para as empresas que venham a iniciar suas atividades após a publicação desta Lei, a autoridade competente, no ato de seu registro, deverá considerar a comprovação da disponibilidade de matéria-prima florestal capaz de garantir o seu pleno abastecimento naquele ano, de acordo com o potencial dos recursos florestais do Estado do Rio de Janeiro e independentemente da data de início de suas atividades.

Art. 7º - Esta Lei entrará em vigor na data da sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Plenário Barbosa Lima Sobrinho, de abril de 2002.

ANDRÉ CORRÊA

Deputado Estadual

JUSTIFICATIVA


A reposição florestal não é um assunto recente na nossa história. Em 1826, José Bonifácio regulamentou essa questão quando se viu diante do aumento abusivo do corte de árvores, no Rio de Janeiro, para atender à demanda das construções e do crescimento da cidade. A situação foi ficando séria, à medida em que o comércio de madeira ia avançando, passando a buscar a matéria-prima, cada vez mais distante do Rio. De 1990 a 1995, registrou-se um desmatamento recorde que colocou o Estado do Rio de Janeiro como o campeão do desmatamento da Mata Atlântica no Brasil, fato revertido apenas nos cinco anos subseqüentes, com muito esforço por parte das autoridades do Estado e maior consciência da sociedade para o problema.


Nos anos 80, o então IBDF - Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal criou mecanismos para cobrar a reposição. Só que esbarrou em dificuldades burocráticas. Foi então sugerida a criação de Associações de Reposição Florestal, que ficariam responsáveis pelo fomento do setor florestal. Em alguns Estados, como São Paulo, a paisagem que caminhava para a desertificação já está mudando. As responsáveis por esta mudança de rumos são as Associações de Reposição Florestal. Funcionando há menos de 15 anos, elas respondem, hoje, pelo plantio de mais de 70 (setenta) milhões de árvores nos Estados de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Rondônia. São Paulo é pioneiro nessa iniciativa, com a criação, em 1986, da Flora Tietê. Hoje, o Estado tem 17 (dezessete) associações, atuando em centenas de municípios e uma Federação, a FARESP - Federação das Associações de Reposição Florestal de SP. Em solo paulista, já foram plantadas mais de 40 (quarenta) milhões de árvores, entre eucaliptos, pinus e espécies nativas. O Rio Grande do Sul, que adotou o sistema de associações bem depois, já está com 28 (vinte e oito) milhões de árvores plantadas, seguindo-se o Mato Grosso do Sul com 3 (três) milhões e os demais Estadios com um volume ainda menor.

Este Projeto de Lei, que torna obrigatória a reposição florestal no Estado do Rio de Janeiro para aqueles que se utilizam de matéria-prima florestal, abre possibilidades de a sociedade se organizar para encontrar seus próprios caminhos, enfrentando o problema. Uma das alternativas apresentadas é a organização de Associações de Reposição Florestal Obrigatória.

Este Projeto de Lei, ao ser implementado, significará a evolução do discurso teórico, cujos resultados são lentos para ações concretas em favor do meio ambiente. Trata-se de assumir uma postura positiva, organizando a produção florestal e não apenas ficando a lamentar a implacável pressão da demanda por produtos florestais, gerada pela sociedade, com suas implicações na devastação das matas nativas.

Os consumidores de produtos florestais terão vantagens com a implementação desta lei, que vai além de cumprir com uma obrigatoriedade legal, pois receberão, como benefício direto, a garantia futura do fornecimento de matéria-prima, provavelmente a preço compatível para a manutenção de suas atividades empresariais e de sua função social. Forma-se um ciclo estável de produção e exploração de florestas. Sem este mecanismo, persistiria a tendência de diversas empresas do setor florestal fecharem suas portas por falta de madeira.

Para a comunidade, da qual o consumidor de madeira também faz parte, podem surgir inúmeros benefícios ambientais, pois a oferta de matas plantadas reduzirá a pressão sofrida, hoje, pelas poucas matas nativas remanescentes, sendo possível preservá-las. Por outro lado, o possível aumento, ou pelo menos a não redução da cobertura florestal atual, cujo índice mínimo desejável seria de 20% (vinte) por cento, influirá diretamente como um fator de qualidade de vida.

A existência de produção florestal oriunda de matas implantadas garante o suprimento futuro de madeira para as atividades humanas.

Diante do exposto, fica evidenciada a importância desta iniciativa e a necessidade de sua aprovação e implementação em função dos grandes benefícios que teremos para o Estado e nossos municípios.

_________________________________________________

A nossa geração já assiste aos primeiros sinais, no norte e noroeste do Estado, de desertificação. Vemos que a queimada ainda é empregada como técnica agrícola, se é que pode receber este nome. Com isso o solo empobrece, o agricultor empobrece, o meio ambiente empobrece, é só dano, não há vantagem alguma. O solo, em três ou quatro safras, não tem mais condição de produzir mais nada. Aí, o que fazem? Avançam e queimam mais um pedacinho de mata, porque ali o solo ainda está rico em nutrientes. Com isso o Estado do Rio vai perdendo suas florestas de maneira acelerada.

Olhar para o futuro é preocupação para todos nós que temos filhos e netos, e sabemos que o mundo deles não é agora. O futuro deles é daqui a vinte anos. Lá por 2022. Cabe-nos a pergunta: que mundo estamos deixando para eles? Está melhor ou pior do que o que recebemos? Seguramente, não recebemos o Estado do Rio de Janeiro como herança de nossos pais e avós. Estamos tomando emprestado da próxima geração. Poucas são as oportunidades em que vejo pessoas olhando para o futuro.

Aproveito para citar um bom exemplo que conheci recentemente e que poderia ser trazido para o Estado do Rio de Janeiro. Estive em Minas, no dia 22 de setembro de 2006, quando o Diretor-Presidente da CENIBRA, Fernando Henrique da Fonseca foi homenageado com o Diploma do Mérito Florestal, instituído pelo Governo de Minas Gerais, pela sua parceria de mais de 20 anos com os fazendeiros florestais. São cerca de 850 parceiros no Projeto Fazendeiros do Futuro que no entorno de 60 municípios reservam um pedaço de sua fazenda para o plantio de eucalipto e assim fornecer madeira à CENIBRA. Mas, antes, a empresa teve de vencer alguns preconceitos e o primeiro deles foi contra o eucalipto. Antigamente o eucalipto era uma cultura bastante desconhecida e por isso as pessoas tinham medo diante de informações infundadas cientificamente de que o eucalipto seca a terra e etc. Foram publicadas inúmeras teses, por 32 universidades, entre elas a Universidade Federal de Viçosa e de Lavras, que refutaram essas inverdades e hoje o eucalipto ocupou seu lugar no mercado florestal. O segundo medo era que, para participar desse programa, ele tinha que legalizar a sua parte de terra, ou seja, a parte de reserva legal e de preservação permanente. O fazendeiro era obrigado a se organizar para que pudesse participar do programa. Desse convênio participam a CENIBRA, os fazendeiros e o IEF, sendo o Instituto responsável pela licença e por determinar o local para plantio. A partir das primeiras colheitas, o fazendeiro começou a observar que dava mais dinheiro do que a atividade de pecuária dele, na ordem de três a cinco vezes mais dependendo da região, e ele começou a se interessar cada vez mais pelo projeto e essa história começou a caminhar e se espalhou. Hoje 71% dos fazendeiros moram nas fazendas e continuam tendo grande parte da atividade da fazenda ligada à pecuária, ao plantio de café ou à outra atividade que já conduzia anteriormente. O eucalipto, o plantio de florestas veio ocupar uma parte da fazenda e com isso o fazendeiro se organizou, ficando legal na parte ambiental. Acho que de certa forma ganhou todo mundo: a empresa, por dividir seus negócios com o fazendeiro; o fazendeiro com uma renda quinzenal da madeira e ganhou a sociedade de um modo geral que tem o zoneamento ecológico em cada fazenda, na qual a reserva legal foi preservada, a área de preservação, utilizando cada de área de acordo com sua característica.

Na intenção de ajudar e despertar as autoridades do Rio de Janeiro para a importância do plantio de florestas, em 29 de julho de 1999, apresentei ao então Governador do Estado do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, o projeto FLORESTAS PARA O FUTURO com os objetivos de contribuir para combater o desmatamento e gerar renda através do treinamento em técnicas de recuperação de terra, produção de mudas, reflorestamento, manejo florestal, de pequenos proprietários rurais vizinhos a áreas florestadas etc., permitindo a regeneração da mata nativa em suas terras; implantar e consolidar Associações de Reposição Florestal; fornecer mudas de crescimento rápido de espécies nativas com potencial de seqüestro de carbono comprovado e usos econômicos sustentáveis; implantar serviço de quantificação, verificação e certificação independente e registro de projetos de captação de CO2 em instituições internacionalmente reconhecidas, para dar transparência e aceitação internacional aos Certificados de Captação de CO2 emitidos no Estado; difundir conceitos e práticas que contribuam para a proteção do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida, nas escolas das redes públicas e sociedade, em articulação com as ONGs e inseridos nos programas públicos de Educação Ambiental; e, estimular a pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias para o controle, monitoramento, diminuição e substituição de fontes emissoras de gases de efeito estufa, entre outras medidas.

É importante considerar que o Estado do Rio sediou a Conferência das Nações Unidas Sobre Ambiente e Desenvolvimento, quando foram assinados os mais importantes acordos ambientais globais da história da humanidade, a saber, as Convenções do Clima e da Biodiversidade, a Agenda 21, a Declaração do Rio Para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, e a Declaração de Princípios Para Florestas e que a Convenção Climática, cujo objetivo principal, foi o de estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, foi ratificada pelo Congresso Nacional em 28 de fevereiro de 1994 e entrou em vigor para o Brasil em 29 de maio do mesmo ano. Embora os países em desenvolvimento não tenham o compromisso de reduzir suas emissões de gases, o Brasil tem formulado e contribuído com algumas idéias, como o uso do álcool como substituto do petróleo, além de outras medidas.

Como coube ao estado do Rio de Janeiro, a honra de sediar tão importante evento, seria natural que também partisse do Estado, contribuir para o combate direto à emissão dos gases causadores do efeito estufa através de fossos de carbono a serem formados pelas florestas a serem plantadas.

Vejam o exemplo dos veículos automotores que são a principal fonte de emissão de carbono para a atmosfera em nosso Estado, segundo o documento "Balanço Energético do Estado".

Entre 1989 e 1996, o setor de transporte contribuiu com 32,0% das emissões de carbono para a atmosfera. Analisando as emissões per capita por região, em termos absolutos, em 1996, as regiões que mais emitiram carbono no Estado foram a Metropolitana (52%), Médio Paraíba (30,5%) e Norte-Fluminense (9%), sendo que na região metropolitana, as atividades que mais emitiram carbono foi o setor de transporte, com 50,8% do total estadual do setor.

O CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) estabeleceu que, a partir de 1997, as emissões de veículos de passeio, por exemplo, não poderão ultrapassar o máximo de 2gr/km de carbono. Se tomarmos como exemplo um veículo que permanece durante um ano inteiro dentro deste padrão de emissões - o que é cientificamente impossível, dada a baixa qualidade do combustível e a carbonização natural dos motores -, e considerando ainda que um veículo trafega em média 20 mil quilômetros por ano, temos que cada veículo emite cerca de 40 quilos de Carbono ao ano. Multiplicado por cerca de 2,7 milhões de veículos da frota do Estado, significa que os veículos são responsáveis pelo lançamento legal, autorizado pelo CONAMA, de 108 mil toneladas de gases de efeito estuda de carbono por ano na atmosfera do Estado do Rio de Janeiro, sendo que mais de 80% deste total de emissões são realizadas na região Metropolitana do Estado, que concentra cerca de 80% da frota. Este número é na verdade muito maior, pois nas verificações feitas pela FEEMA, é comum que mais de 50% dos veículos estejam com motores desregulados, chegando a emitir 12 gr/km.

Estudos da Coordenadoria de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe), da UFRJ, com base em levantamento feito pelo Greenpeace, mostra que em quatro áreas da Cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, o índice de dióxido de carbono já ultrapassou os limites da Organização Mundial de Saúde (OMS). Pesquisas do laboratório da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) relacionam a poluição atmosférica ao aumento da mortalidade de idosos e à morte de fetos a partir de seis meses de gestação, contaminados através do cordão umbilical e da corrente sangüínea da mãe que respira a poluição. “No sangue do cordão umbilical, já filtrado pela placenta, a presença de dióxido de carbono aumentava quando a concentração desse poluente era maior na atmosfera”, constatou o médico Luiz Alberto Amador Pereira, pesquisador da USP. Os estudos da USP também indicam que, cada vez que a concentração de particulados aumenta cem microgramas por metro cúbico, a mortalidade de pessoas com mais de 65 anos cresce 13 %.


Os proprietários de veículos, as distribuidoras e os fabricantes, deveriam ser solidariamente responsáveis por estas emissões e uma das formas que sugeri ao Governador na ocasião, seria a cobrança por ocasião da renovação anual da licença para veiculação, de um pequeno valor equivalente ao plantio e manutenção de duas árvores por veículo, constituindo num Fundo Florestal que assegurasse recursos para o plantio de florestas em nosso estado.

Em 1997, cerca de 40 acadêmicos e pesquisadores nacionais especialistas de muitas áreas, reunidos pela FBDS (Fundação Brasileira Para o Desenvolvimento Sustentável) com o Instituto de Estudos Avançados da USP, através da Academia Brasileira de Ciências, reforçaram o importante papel do reflorestamento na técnica de seqüestro de gás carbônico. O Projeto FLORAM (Florestas Para o Meio Ambiente), elaborado pelo IEA-USP, no final da década de 80, foi inovador neste sentido. Preconiza a retirada biogênica do gás carbônico em excesso na atmosfera por meio da fotossíntese das árvores.

Supondo que a medida compensatória de cada motorista seja estabelecida em R$ 2,00 anuais por veículo, a ser pago junto à taxa anual de vistoria, multiplicado pela frota de 2,7 milhões de veículos, asseguraria recursos da ordem de cerca de 5,4 milhões de reais ao ano para plantio de florestas, preservação das florestas existentes, investimentos no combate às emissões dos gases de efeito estufa.

Entretanto, ao contrário de estar plantando árvores ou preservando as florestas existentes, o Estado do Rio de Janeiro tem contribuído para o desmatamento de suas florestas. Segundo medições por satélites feitas pelo INPE em convênio com as ONGs SOS Mata Atlântica e Instituto Sócioambiental, no período de cinco anos, entre 1990 e 1995, o Estado do Rio perdeu 140.372 hectares de Mata Atlântica e em dois anos, entre 1995 e 1997, a perda em 40 municípios dos 91 do Estado, foi de 15.689, o equivalente a quase um campo de futebol de florestas por hora!


A principal atividade depredadora das florestas nativas fluminenses, apontada pelo satélite, tem sido a prática de queimadas para ampliação ou limpeza de pastos ou como estratégia de produtores rurais empobrecidos de evitar a aquisição de adubos e fertilizantes para suas terras com baixa produtividade, recorrendo às queimadas como forma de ampliar áreas produtivas devido às cinzas da própria floresta queimada.

Participei em Vassouras, Vale do Paraíba, quando o Secretario de Meio Ambiente era o Fernando Carvalheira, do reflorestamento de morro que há em frente à prefeitura: o Morro da Vaca. Investimos e plantamos sete mil mudas e o morro começou a ficar verdinho. Infelizmente, a prática do fogo aconteceu e tivemos que reflorestar três vezes. Se voltarmos, lá, o morro continua sem vegetação. Muito poucas sobraram, porque a terra ficou cheia de vossoroca, que é como ferida do solo.

Quando fizemos esse reflorestamento, tivemos que ir a Minas Gerais buscar trabalhadores, por que aqui não havia quem soubesse plantar árvores. Eis o quadro que vivemos.

Se tomarmos como parâmetro o modelo adotado na Costa Rica, onde para cada 1000 ha de florestas estima-se a absorção de 30.000 t C durante um período de 10 anos. Isso significa que as queimadas além de lançarem carbono na atmosfera, eliminaram, de 1990 a 1997, 156.061 hectares de florestas que antes retiravam da atmosfera, num período de 10 anos, cerca de 4,6 milhões de toneladas de carbono da atmosfera.

Acredita-se que a demanda por créditos de captação de carbono vá levar à criação de um valor real de mercado que lhes caracterizará como commodities transacionaveis, nos moldes do mercado de créditos de SO2 já existente nos EUA. Neste mercado incipiente, o valor atual de 1 tonelada de carbono é em torno de US$ 10/ton C. De acordo com um estudo realizado pelo UNCTAD (UN Conference on Trade and Development), a demanda por créditos de captação de CO2 durante a próxima década será em torno de US$ 20 bilhões. No entanto, a ausência de mecanismos confiáveis e formal de registro e transferência de créditos de captação de carbono tem gerado incerteza e reduzido o nível de investimento em projetos florestais por parte de companhias do setor industrial interessadas em mitigar suas emissões.

Por exemplo, para cada 1000 ha de plantio de espécies nativas para reabilitação de matas ciliares estima-se a absorção de 30.000 t C durante um período de 10 anos, no valor de US$ 300,000 (a US$10 por tonelada C). Tal valor possivelmente será maior, uma vez que a demanda por créditos de captação de carbono só tende a crescer e seu valor a subir. É necessário, porém, que os projetos de captação de carbono sejam devidamente registrados e sua taxa de captação calculada para emissão dos respectivos certificados.

O Projeto FLORESTAS PARA O FUTURO, que propus ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, uma vez implementado, asseguraria recursos para a criação do Fundo Especial Para Combate ao Efeito Estufa - PROFLORAR, destinando recursos para, entre outros fins, o plantio de florestas de fins econômicos e ambientais e preservação das florestas nativas existentes, significando recursos fundamentais que faltam hoje para a efetiva implantação e proteção das Unidades de Conservação localizadas no Estado do Rio Janeiro e formação de contínuos florestais, estímulo à criação e implantação de RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural), etc., como mais uma contribuição do povo fluminense para o esforço mundial de combate ao aquecimento global.

Além disso, o projeto iria testar e disseminar conhecimentos sobre seqüestro de carbono de floresta tropical para beneficiar pequenos produtores e proprietários de áreas degradadas em volta de remanescentes de mata atlântica, contribuindo para o desenvolvimento regional, a geração de emprego e renda, já que, para cada hectare plantado gera-se 4 (quatro) empregos diretos (Fonte: Fundação SOS Mata Atlântica), sendo, portanto, um projeto de amplo interesse sócio-ambiental. Se levar em conta a necessidade de se garantir o plantio anual de árvores apenas para o seqüestro de 108 mil toneladas de carbono emitidas por ano pela frota de 2,7 milhões de veículos do Estado, haveria a necessidade se plantar em torno de 4 mil hectares anuais, durante 10 anos. Teríamos a geração de emprego, e a garantia de emprego durante 10 anos, em torno de 16 mil novos postos de trabalho.

Isso pode significar a diminuição da migração campo-cidade, tornando-se em mais um atrativo para a fixação do homem no campo, para o desenvolvimento do setor agrícola, combate às queimadas como técnica agrícola e pecuária, geração de emprego para engenheiros florestais e biólogos, geração de renda e valorização de propriedades rurais, entre outros benefícios.


Fonte: Portal do Meio Ambiente

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Entenda o que é APP


Áreas de Preservação Permanente (APP) são regiões nas quais, por imporsição da Lei, a vegetação deve ser mantida intacta, tendo em vista garantir a preservação dos recursos hídricos, da estabilidade geológica, da biodiversidade, do fluxo gênico de fauna e flora, bem como do bem-estar da população humana.

Consideram-se de preservação permanente, pelo efeito do Art. 2º do Código Florestal, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas:

Relativas à Hidrografia

a) Ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será:

1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura;

2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura;

3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura;

4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura;

5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros;

b) Ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais;

c) Nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura;

Relativas à altimetria do terreno

d) No topo de morros, montes, montanhas e serras;

e) Nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45º, equivalente a 100% na linha de maior declive;

f) Nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues;

g) Nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais;

h) Em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação.

Relativas à áreas Urbanas

Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervar-se-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo.


Fonte: Portal do Meio Ambiente

Código florestal é flexibilizado na comissão especial

Deputados aprovam relatório que regulariza propriedades rurais sem Reserva Legal sob aplausos de fazendeiros e vaias de movimentos sociais ligados ao campo. Em jogo, dois modelos de produção agrícola para o país.

Depois de dois dias de sessões conturbadas, uma Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou, no último dia 6 de julho, alterações no Código Florestal brasileiro. Pela nova redação, não haverá mais a obrigatoriedade de se preservar 30 metros de vegetação na beira dos rios (matas ciliares), mas apenas 15 metros, em se tratando de cursos d'agua que tenham de cinco a dez metros. Além disso, propriedades com até quatro módulos fiscais - o que na Amazônia, por exemplo, equivale a 400 campos de futebol - que já tenham desmatado áreas de Reserva Legal, não serão mais consideradas ilegais e nem precisarão replantá-las. Pelo novo Código, os topos dos morros também deixam de ser consideradas Áreas de Preservação Permanente (APP) e podem ser desmatados. São justamente estas áreas que recarregam os lençóis freáticos. O Código Florestal, que é a lei federal 4771, existe desde 1965 e é responsável por regular a relação entre os brasileiros e os biomas do país. O código define a observância das APPs, de Reserva Legal e vários outros dispositivos que visam coibir a exploração desenfreada da natureza.

Em junho, o deputado federal Aldo Rebelo (PcdoB/SP), relator da comissão especial criada para analisar os projetos de lei que alteram o Código Florestal, apresentou um relatório que flexibiliza as normas já existentes, como reivindicava a chamada bancada ruralista no Congresso. Em resposta, movimentos sociais ligados ao campo, pesquisadores e intelectuais começaram uma campanha contra a aprovação do relatório apresentado por Rebelo. Nos últimos dias 5 e 6 de julho, o deputado apresentou um substitutivo que sofreu várias alterações ao longo das duas sessões de discussão e aprovação da matéria. Com presença de pessoas contrárias e favoráveis assistindo às reuniões, vaias e aplausos eram ouvidos constantemente. Algumas das modificações foram feitas por Aldo Rebelo horas antes da votação, na madrugada do último dia 6, razão pela qual deputados contrários à aprovação do texto se posicionaram insistentemente pelo adiamento da decisão, mas não tiveram êxito e a proposta foi aprovada por 13 a 5 votos. Os vários destaques apresentados pelos deputados também foram reprovados.

Para movimentos sociais, novo código possibilita mais desmatamento

O projeto de lei aprovado na Comissão Especial ainda precisa ser aprovado no plenário da Câmara e do Senado para começar a vigorar. O engenheiro florestal especialista em agroecologia Luiz Zarref, da Via Campesina, considera que o projeto praticamente ‘derruba' o Código Florestal. Ele explica que, ao contrário do que sugere o relatório do deputado Aldo Rebelo, os movimentos sociais reunidos na Via Campesina nunca tiveram como demanda o fim da Reserva Legal em propriedades de até quatro módulos fiscais. Pelo novo código, os proprietários destas unidades devem preservar as matas restantes, mas estão desobrigados a recompor o que já tiver sido destruído da Reserva. Luiz acredita que este é um dos principais problemas do novo texto. "O conceito de Reserva diz que se trata de uma área de uso sustentável, de manejo, onde se pode plantar frutas, até mesmo café, em convivência com espécies nativas. Esta Reserva é importante para se diversificar a produção", explica.

O engenheiro lembra que é justamente nestes espaços onde sobrevivem espécies nativas como o pequi, por exemplo, no caso do Cerrado, fruta largamente utilizada na culinária local. Ele explica ainda que todo pequeno produtor sempre teve no lote de terra um pedaço de mata para colher ervas medicinais, lenha e estacas para fazer cercas. "Acabar com a Reserva Legal não é nenhum benefício. Daqui a 20 anos as terras destes pequenos agricultores estarão muito piores porque a faz reciclagem de nutrientes, mantém a adubação do solo e uma série de animais que são predadores naturais de pragas. E os pequenos agricultores não são como os grandes que podem vender a terra e ir para outro lugar: aquela terra será para ele, para os filhos e netos dele. Então, a longo prazo, é um grande golpe para a agricultura familiar", acrescenta.

O projeto aprovado anistia os proprietários de terras que desmataram ilegalmente até o ano de 2008. Luiz alerta que, na verdade, o que foi aprovado desobriga os desmatadores de pagamento de multa até o presente momento porque não existe estrutura suficiente nos órgãos de fiscalização para saber quem desmatou antes ou depois de 2008. "Nós não temos acesso a imagem de satélite de todo o território nacional com tanta atualidade e o único meio de saber isso é por meio destas imagens, que são caríssimas. Só as temos em algumas regiões de fronteira da Amazônia, mas que ainda assim são imagens boas para detectar queimadas", diz.

Outro aspecto polêmico aprovado no novo texto se refere à possibilidade de compensação da área desmatada. O fazendeiro que desmatou poderá, pelo novo código, comprar um trecho de mata equivalente àquele em outro local, mesmo em outro estado, desde que seja dentro do mesmo bioma. Ou seja, se o desmatamento foi na região da Floresta Amazônica, a área compensada também deve ser na floresta. Pelo código em vigência hoje, esta compensação só pode ser feita dentro da mesma microbacia hidrográfica. Luiz Zaref critica também esta mudança. "Esta área preservada cumpre o papel de abastecer de água os riachos da região. Se for jogada em outra bacia, mesmo que seja dentro do mesmo bioma, o impacto naquela bacia que está sendo devastada já terá sido feito", explica.

Em jogo, dois modelos de produção agrícola

No decorrer das discussões da comissão, o deputado Aldo Rebelo fez alterações no texto para deixar claro que a desobrigação de preservar a Reserva Legal em propriedades com até quatro módulos fiscais valia apenas para aqueles agricultores que já tinham desmatado até 30 de julho de 2008 e não para futuros desmatamentos. Entretanto, a mudança, na opinião de Luiz Zarref, significa muito pouco, já que não há fiscalização suficiente, e o novo código contribui para aumento das áreas desmatadas. "Nós não temos dúvida de que terá uma corrida desenfreada pelo desmatamento nos próximos meses, dada a total ineficiência dos órgãos de fiscalização brasileiros", opina.

Para ele, o Cerrado e a Caatinga serão os biomas mais atingidos pelo desmatamento, já que nestas regiões a fiscalização é ainda mais ineficiente do que no bioma amazônico. "Como você diz que foi desmatado até 30 de julho de 2008? Não há como dizer. Os órgãos estaduais de meio ambiente estão sucateados: têm técnicos que fazem a legislação, mas não têm técnicos que vão a campo. Então, quando o técnico for lá daqui a dois anos, como ele diferencia o que foi feito em 2010 do que foi feito em 2008?", questiona.

De acordo com o engenheiro da Via Campesina, o texto aprovado choca-se também com o conceito até hoje vigente de função social da propriedade. "Uma propriedade, para não ser desapropriada, tem que ter uma função socioambiental, precisa ser financeiramente rentável e ter preservação ambiental. É um tripé. O novo código ataca uma parte deste tripé, a da preservação ambiental. Com o código, uma fazenda não pode mais ser desapropriada por não cumprir a função social no quesito da preservação ambiental", destaca.

Luiz questiona a imagem que se tentou construir de que os movimentos sociais são contra a produtividade. Para ele, na verdade, o que está em jogo são modelos diferentes de produção - o do agronegócio e o da agricultura camponesa e familiar. "Quem mais produz alimentos hoje é a agricultura camponesa e familiar, basta olhar os dados do IBGE", diz.

Código da Biodiversidade

Para o professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense Carlos Walter Porto-Gonçalves, a defesa do Código Florestal pelos movimentos sociais demonstra o quanto os setores progressistas estão na defensiva, sem conseguir de fato, pautar novas discussões. Ele atua junto aos movimentos sociais e também assinou o manifesto contra as modificações no Código Florestal, mas alerta que é preciso fazer uma outra discussão - a da necessidade de se pensar em um código de biodiversidade e não só de florestas. "Falar em Código Florestal hoje é um retrocesso. Por que não um código de biodiversidade? As oligarquias latifundiárias ligadas ao Cerrado estão muito preocupadas em tirar o Mato Grosso e o Tocantins da Amazônia. Com esses estados não sendo mais compreendidos como áreas de floresta, eles ficariam livres para explorar o Cerrado. É preciso ver o que está por trás desta discussão", alerta.

Carlos Walter lembra a importância de biomas como o Cerrado, que tem grandes mananciais, onde se formam os rios mais importantes do país, e uma biodiversidade riquíssima, com centenas de espécies. Por isso, a urgência de se criar um código da biodiversidade. "O Código Florestal acaba sendo uma maneira indireta de dizer lá fora que você está cuidando das florestas do Brasil. A questão das florestas é um dos pontos importantes do debate ambiental global, mas é apenas um dos lados do problema. O outro lado é a erosão genética, da biodiversidade, que se dá a partir do monocultivo. Sobre esse lado, as oligarquias não querem falar, por isso querem apenas falar de um código de florestas e não de biodiversidade. Assim, aceitam uma agenda externa para o debate na exata medida em que é conveniente aos seus propósitos de continuarem exportando commoditties agrícolas e minerais", explica. E completa: "Guimarães Rosa, inspirado nos camponeses do cerrado, soube compreender como poucos que ‘o cerrado é uma caixa d´água', pois o ‘grande sertão', as chapadas, são recargas hídricas fundamentais para alimentar os lençóis d´água e daí as veredas. Por isso batizou seu grande livro: 'Grande Sertão: Veredas'. Preservar os cerrados e a cultura dos povos do cerrado, como soube fazer Guimarães Rosa, é fundamental para garantir água e de boa qualidade. Talvez tenha sido essa compreensão profunda da realidade dos povos do cerrado que tenha feito o escritor de Minas Gerais, universal", destaca. E conclui:. "Eu parodio uma frase do Chico Mendes que dizia que não há defesa da floresta sem os povos da floresta. Também não tem defesa do Cerrado sem os povos do Cerrado, porque os povos têm o conhecimento destas veredas e encostas, que vão produzir o Baru, o Pequi, a Fava-danta, um conjunto de óleos, frutos e resinas com usos medicinais", salienta.

O Código Florestal e a saúde

O médico veterinário e professor-pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), André Burigo, ressalta que, apesar de a saúde e o meio ambiente serem áreas bastante relacionadas, nenhum profissional da saúde foi ouvido no processo de elaboração do relatório do deputado Aldo Rebelo. "O relatório traz registro das 33 audiências realizadas para discutir o tema e o nome dos convidados em cada uma delas. O Ministério da Saúde não foi convidado, a Anvisa também não, instituições como a Fiocruz, que tem laboratórios de excelência na discussão da saúde no campo, também não. De fato, diante de tudo que o relatório apresenta, a saúde poderia ser considerada um obstáculo para que avançasse esta proposta de um novo Código Florestal", critica.

André Burigo explica que cabe à área de saúde ambiental explicar esta relação entre saúde e meio ambiente, fundamentalmente estudando os impactos decorrentes do encontro do homem com a natureza na saúde das pessoas. Ele lembra que no ano passado, foi realizada a I Conferência Nacional de Saúde Ambiental em cuja plenária final a diretriz mais votada diz: "mudança no modelo de desenvolvimento econômico de forma a produzir a qualidade de vida e a preservação do ambiente e a saúde desta e das futuras gerações, com a proteção da agrobiodiversidade e da biodiversidade urbana e rural, visando à sustentabilidade socioambiental responsável". Para André, a diretriz aprovada ilustra como a área da saúde tem a contribuir para este debate, no sentido oposto das modificações que estão sendo propostas para o Código Florestal.

O pesquisador ressalta que o modelo de produção vigente atualmente, do agronegócio, com grande concentração fundiária, trabalhadores mantidos muitas vezes em condição análoga à de escravidão e forte uso de agrotóxicos, tem impactos diretos na saúde. "Por exemplo, a segurança alimentar é uma questão de saúde pública enorme por causa deste modelo de desenvolvimento. Nós, da saúde, recomendamos muito a ingestão de verduras e hortaliças, mas estamos entrando num paradigma no qual podemos questionar se estes itens são alimentos ou não, por causa do uso intensivo de agrotóxicos. O conceito de alimentos tratado no Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional é de alimentos sadios, que não contêm veneno", questiona.

Ele comenta ainda que a população camponesa está sujeita também a outros problemas, que têm impacto direto na saúde e estão relacionados ao modo de produção do agronegócio, como a pulverização aérea das plantações. André lembra que este tipo de atividade foi questionada durante a Conferência Nacional de Saúde Ambiental, que votou por se extinguir a pulverização aérea no Brasil, entendendo que não há condições de segurança para isso. "Não há como garantir que esta pulverização aérea ficará apenas sobre aquela propriedade que aquele grande empresário está aplicando", explica.

O pesquisador dá um exemplo de como este modelo, que muitas vezes estabelece relações com os pequenos agricultores, traz consequências perigosas. No Rio Grande do Sul e Santa Catarina, pequenos agricultores plantam fumo ou criam aves e suínos para grandes empresas. "Este tipo de relação coloca o proprietário daquele chão como empregado das grandes empresas, que oferecem a muda, o veneno e o produtor entra com o financiamento do galpão, com a mão de obra da sua família, expondo sua família ao veneno. A mistura de exposição ao agrotóxico e de endividamento desta família na relação desfavorável que elas tem com o setor do agronegócio tem levado, inclusive, a um número elevado de suicídios destes pequenos agricultores", exemplifica.

André ressalta que há muitas populações expostas à chamada injustiça ambiental, expressão utilizada para conceituar práticas que provoquem danos à saúde pela transgressão do limite de atuação saudável no meio ambiente. Ele diz que as parcelas mais expostas da população são aquelas mais pobres das cidades, que vivem nas periferias das fábricas ou também em condições precárias, sem acesso à saneamento, educação e alimentação dignas. E no campo, as mais expostas aos agrotóxicos. "O Brasil tem ainda utilização liberada de agrotóxicos que já foram proibidos nos países chamados desenvolvidos", observa.

Para o pesquisador, o Código Florestal só pode ser discutido se for entendido no contexto de toda a discussão da questão agrária. "Este debate interessa a toda a sociedade e não poderia ter sido aprovado dessa maneira, com um relatório que foi modificado na madrugada, nas vésperas da votação. Acredito também que não tenha sido ao acaso que foi discutido em um momento de Copa do Mundo, no qual a população está concentrada numa competição internacional esportiva. Acho que estes governantes estão dando um grande exemplo da fragilidade da democracia representativa no Brasil", diz.

Discurso de modernidade não é novo

Carlos Walter considera que também não é possível discutir a questão ambiental sem pensar no modelo social vigente. "Já na filosofia grega tinha o Rei Midas, que morreu de fome, porque tudo que ele tocava virava ouro, mas a riqueza não é o ouro, é a água, é a comida. O dinheiro (o ouro) é a expressão da riqueza e não a riqueza enquanto tal. E é esse dilema de Midas que a nossa sociedade está vivendo. Porque parece que nossa sociedade inventou uma nova Lei de Lavoisier: na natureza nada se perde, tudo se transforma em ... oportunidade de mercado", diz o professor, alertando para o perigo de se transformar a natureza em lucro a qualquer preço.

O geógrafo ressalta também a existência de dois modelos técnico-políticos em disputa para a agricultura brasileira. "Um é o modelo do agronegócio, dos grandes latifúndios empresariais, de monocultivos de exportação, altamente energívoros, aquívoros, que provocam grandes danos, como perdas de solos, contaminação das águas, além de uma poluição invisível, que é uma poluição genética através do modelo da transgenia cujo efeito sobre nossos corpos e o meio ambiente ainda não conhecemos", explica. Ele lembra que esse processo não é novo, já que as oligarquias latifundiárias, com seus monocultivos empresariais, sempre fizeram esforços para inserir o Brasil na divisão internacional do trabalho para exportar a commodity do momento, seja a cana de açúcar, o algodão ou o cacau, por exemplo. "A ideologia da modernidade tem 500 anos no Brasil. Temos hoje rigorosamente a mesma tecnologia de ponta que tínhamos no século XVI. Um trator com computador que hoje opera num grande latifúndio empresarial de produção de soja é o equivalente ao engenho moderno no século XVI. O Brasil não exportava matéria prima, como nos ensinaram os livros didáticos e ainda hoje nos ensinam os livros de história econômica. O Brasil exportava açúcar que era um produto manufaturado, e éramos os maiores exportadores de manufatura já no século XVI e o fazíamos usando o trabalho escravo. Modernidade com injustiça social nos caracteriza desde sempre", afirma.

O outro modelo, de acordo com o professor, é a forma pela qual os movimentos sociais têm tentado se reapropriar politicamente da terra, com base na agricultura familiar. "Este modelo tem na agroecologia e nas experiências da cultura tradicional camponesa seus dois grandes pilares. A aproximação com o conhecimento técnico se apóia nessa capacidade de proporcionar o máximo de autonomia aos camponeses e de potencializar a produção de acordo com as especificidades que o ecossistema tem. É um modelo que tende para a policultura, para a diversidade de produção e muito mais voltado para o mercado local e regional", distingue.

Carlos Walter chama a atenção para o fato de que nos últimos 40 anos, ao mesmo tempo em se intensificaram as discussões sobre a necessidade de preservação do meio ambiente, se ampliou a destruição numa escala jamais vista na história da humanidade. "Isso exige fatalmente de todos aqueles que estão preocupados com a questão ambiental que revejam sua atuação política, porque a consciência ecológica não tem significado um compromisso efetivo com a superação do problema. É como se a consciência fosse insuficiente porque não está se traduzindo em práticas que apontem para uma sociedade mais sustentável, embora o que mais se fale hoje em dia é exatamente sobre sustentabilidade", aponta.

No caso do Brasil, o professor situa a construção de Brasília e a abertura da rodovia Belém-Brasília, como dois exemplos da intensificação da devastação da Amazônia e do Cerrado brasileiros nos últimos 40 anos. Ele diz que vigora atualmente uma crença cega no poder da ciência e da técnica, a que ele atribui o nome de ideologia tecnocêntrica, mas que não tem resultado em soluções para o problema da devastação do meio ambiente. "Afinal, não se trata de um problema técnico, mas sim técnico-político e o desafio é reinventarmos uma outra matriz de conhecimento que não seja fundada no mito da dominação da natureza, como o atual. Nos últimos 30, 40 anos nós tivemos um avanço tecnológico no mundo que permitiu o aumento geral da produtividade em 30 %, mas isso não significou uma diminuição da pressão sobre os recursos naturais, pois no mesmo período houve o aumento no consumo desses recursos em 50%. Hoje, há informações de que já temos um consumo anual de recursos naturais numa proporção que ultrapassa 30% da capacidade de reposição da biomassa do planeta. Estamos sacando numa conta que sem fundo", alerta.


Fonte: Portal do Meio Ambiente

Postagens populares