”A água é o sangue da terra. Insubstituível.
Nada é mais suave e ,no entanto , nada a ela resiste.
Aquele que conhece seus princípios pode agir corretamente,
Tomando-a como chave e exemplo.
Quando a água é pura, o coração do povo é forte.
Quando a água é suficiente,o coração do povo é tranquilo.”
Filósofo Chinês no século 4 A.C
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"As preocupações ambientais contemporâneas originaram-se da percepção da pressão sobre os recursos naturais causadas pelo crescimento populacional e pela disseminação do modelo da sociedade de consumo"
sábado, 24 de novembro de 2012
quinta-feira, 7 de junho de 2012
A cura da Terra já existe
por Stephen Leahy, da IPS
O Ártico alcançou uma concentração recorde de dióxido de carbono de 400 partes por milhão (ppm). A última vez que a Terra registrou níveis semelhantes foi há três milhões de anos, durante a era do Plioceno. Então, as temperaturas do Ártico eram entre 10 e 14 graus mais altas e, as globais, quatro graus mais elevadas. Nesta primavera boreal, todos os centros de pesquisa no Alasca, na Groenlândia, Noruega, Islândia, e inclusive Mongólia, registraram níveis superiores à barreira dos 400 ppm pela primeira vez, informaram cientistas.
Entretanto, a média mundial é de 392 ppm, e para chegar aos 400 ainda falta muito. Se os níveis de dióxido de carbono (CO2) não baixarem, ou, pior, aumentarem, o planeta inevitavelmente alcançará temperaturas mais altas, e para isto não serão necessários milhões de anos. Se não houver grande redução nas emissões de gases gerados por combustíveis fósseis, quem nascer hoje poderá viver em um mundo superaquecido em quatro graus quando for adulto. Este aumento fará com que a maior parte da Terra fique inabitável. Um mundo mais quente significará a morte para muitas pessoas no mundo, afirmou Chris West, do Programa de Impacto Climático, da britânica Universidade de Oxford.
Esta semana, a Agência Internacional de Energia informou que as emissões mundiais de CO2 cresceram 3,2% em 2011, com relação a 2010. Esta é precisamente a direção errada: as liberações de gases devem diminuir 3% ao ano para se ter alguma esperança quanto a um futuro de clima estável. Até 2050, em um mundo com mais habitantes, as emissões de carbono deveriam cair pela metade. Isto é impossível? Não. Várias análises diferentes mostram como isso pode ser alcançado.
Por exemplo, a consultoria holandesa Ecofys publicou em 2010 um estudo técnico intitulado O Informe de Energia, no qual demonstra como o mundo poderia usar somente fontes renováveis até 2050. O Greenpeace tem um plano denominado (R)evolução Energética, e a Agência Internacional de Energia conta com o seu próprio estudo, chamado Cenário 450. Não existe carência de conhecimento técnico sobre como reduzir as emissões.
Alguns países já começaram a tomar medidas. A Alemanha obteve mais de 30% de sua energia com a luz solar de um único dia claro na última semana de maio. Em lugar de utilizar suas 20 ou mais centrais de carvão, este país empregou energia de mais de um milhão de painéis solares localizados em casas, edifícios e ao lado de estradas. Embora não se caracterize por ter um clima quente, a Alemanha conta com mais painéis solares do que o resto do mundo somado. Atende 4% de suas necessidades anuais de eletricidade graças à energia solar. Inclusive, poderia aumentar sua produção solar entre 5% e 10%, segundo especialistas, sobretudo graças às últimas reduções no custo dos painéis.
A diferença na Alemanha é a liderança. A revolução das energias renováveis nesse país foi iniciada em 2000, pelo então ministro da Economia, Hermann Scheer, que promoveu durante anos esta política para impedir que os sucessivos governos a deixassem de lado. Morreu repentinamente em 2010, mas outros líderes alemães, apoiados por grupos ambientalistas e pelo público em geral, continuam pressionando por mais apoio às energias renováveis.
A chefe de governo, Angela Merkel, reverteu sua política de apoio ao setor nuclear depois do acidente na central japonesa de Fukushima, no ano passado. A Alemanha anunciou que fechará suas 17 usinas atômicas até 2022 e adotou o ambicioso plano de energias renováveis chamado Agora Energiewende. Se obtiver sucesso, o programa fará com que pelo menos 40% da energia do país proceda de fontes renováveis, até 2022. Representantes do poderoso setor energético expressaram seu descontentamento com o plano de Merkel, e a chanceler disse que precisará de forte apoio público para seguir adiante.
O setor das energias renováveis na Alemanha emprega mais pessoas do que o automotivo. No mundo, as energias renováveis empregam atualmente cerca de cinco milhões de trabalhadores, mais do que o dobro no período de 2006-2010, segundo estudo divulgado na última semana de maio pela Organização Mundial do Trabalho (OIT). A passagem para uma economia verde poderá gerar entre 15 milhões e 60 milhões de empregos adicionais em todo o planeta nas próximas duas décadas, podendo tirar milhões de pessoas da pobreza, afirma o estudo Trabalhando para um Desenvolvimento Sustentável.
Apenas entre dez e 15 indústrias respondem por 70% a 80% das emissões de CO2 nos países industrializados, destaca o informe. E estas indústrias empregam apenas de 8% a 12% da força de trabalho. Mesmo adotando políticas para conseguir grandes reduções das emissões, apenas uns poucos perderiam seus empregos. “A sustentabilidade ambiental não mata empregos, como às vezes se diz”, ressaltou o diretor-geral da OIT, Juan Somavia. “Pelo contrário, se é manejada de forma adequada, pode derivar em mais e melhores empregos, em redução da pobreza e inclusão social”, acrescentou. Envolverde/IPS
Fonte: Envolverde
O Ártico alcançou uma concentração recorde de dióxido de carbono de 400 partes por milhão (ppm). A última vez que a Terra registrou níveis semelhantes foi há três milhões de anos, durante a era do Plioceno. Então, as temperaturas do Ártico eram entre 10 e 14 graus mais altas e, as globais, quatro graus mais elevadas. Nesta primavera boreal, todos os centros de pesquisa no Alasca, na Groenlândia, Noruega, Islândia, e inclusive Mongólia, registraram níveis superiores à barreira dos 400 ppm pela primeira vez, informaram cientistas.
Entretanto, a média mundial é de 392 ppm, e para chegar aos 400 ainda falta muito. Se os níveis de dióxido de carbono (CO2) não baixarem, ou, pior, aumentarem, o planeta inevitavelmente alcançará temperaturas mais altas, e para isto não serão necessários milhões de anos. Se não houver grande redução nas emissões de gases gerados por combustíveis fósseis, quem nascer hoje poderá viver em um mundo superaquecido em quatro graus quando for adulto. Este aumento fará com que a maior parte da Terra fique inabitável. Um mundo mais quente significará a morte para muitas pessoas no mundo, afirmou Chris West, do Programa de Impacto Climático, da britânica Universidade de Oxford.
Esta semana, a Agência Internacional de Energia informou que as emissões mundiais de CO2 cresceram 3,2% em 2011, com relação a 2010. Esta é precisamente a direção errada: as liberações de gases devem diminuir 3% ao ano para se ter alguma esperança quanto a um futuro de clima estável. Até 2050, em um mundo com mais habitantes, as emissões de carbono deveriam cair pela metade. Isto é impossível? Não. Várias análises diferentes mostram como isso pode ser alcançado.
Por exemplo, a consultoria holandesa Ecofys publicou em 2010 um estudo técnico intitulado O Informe de Energia, no qual demonstra como o mundo poderia usar somente fontes renováveis até 2050. O Greenpeace tem um plano denominado (R)evolução Energética, e a Agência Internacional de Energia conta com o seu próprio estudo, chamado Cenário 450. Não existe carência de conhecimento técnico sobre como reduzir as emissões.
Alguns países já começaram a tomar medidas. A Alemanha obteve mais de 30% de sua energia com a luz solar de um único dia claro na última semana de maio. Em lugar de utilizar suas 20 ou mais centrais de carvão, este país empregou energia de mais de um milhão de painéis solares localizados em casas, edifícios e ao lado de estradas. Embora não se caracterize por ter um clima quente, a Alemanha conta com mais painéis solares do que o resto do mundo somado. Atende 4% de suas necessidades anuais de eletricidade graças à energia solar. Inclusive, poderia aumentar sua produção solar entre 5% e 10%, segundo especialistas, sobretudo graças às últimas reduções no custo dos painéis.
A diferença na Alemanha é a liderança. A revolução das energias renováveis nesse país foi iniciada em 2000, pelo então ministro da Economia, Hermann Scheer, que promoveu durante anos esta política para impedir que os sucessivos governos a deixassem de lado. Morreu repentinamente em 2010, mas outros líderes alemães, apoiados por grupos ambientalistas e pelo público em geral, continuam pressionando por mais apoio às energias renováveis.
A chefe de governo, Angela Merkel, reverteu sua política de apoio ao setor nuclear depois do acidente na central japonesa de Fukushima, no ano passado. A Alemanha anunciou que fechará suas 17 usinas atômicas até 2022 e adotou o ambicioso plano de energias renováveis chamado Agora Energiewende. Se obtiver sucesso, o programa fará com que pelo menos 40% da energia do país proceda de fontes renováveis, até 2022. Representantes do poderoso setor energético expressaram seu descontentamento com o plano de Merkel, e a chanceler disse que precisará de forte apoio público para seguir adiante.
O setor das energias renováveis na Alemanha emprega mais pessoas do que o automotivo. No mundo, as energias renováveis empregam atualmente cerca de cinco milhões de trabalhadores, mais do que o dobro no período de 2006-2010, segundo estudo divulgado na última semana de maio pela Organização Mundial do Trabalho (OIT). A passagem para uma economia verde poderá gerar entre 15 milhões e 60 milhões de empregos adicionais em todo o planeta nas próximas duas décadas, podendo tirar milhões de pessoas da pobreza, afirma o estudo Trabalhando para um Desenvolvimento Sustentável.
Apenas entre dez e 15 indústrias respondem por 70% a 80% das emissões de CO2 nos países industrializados, destaca o informe. E estas indústrias empregam apenas de 8% a 12% da força de trabalho. Mesmo adotando políticas para conseguir grandes reduções das emissões, apenas uns poucos perderiam seus empregos. “A sustentabilidade ambiental não mata empregos, como às vezes se diz”, ressaltou o diretor-geral da OIT, Juan Somavia. “Pelo contrário, se é manejada de forma adequada, pode derivar em mais e melhores empregos, em redução da pobreza e inclusão social”, acrescentou. Envolverde/IPS
Fonte: Envolverde
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Muriqui: um brasileiro com cauda
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| Foto: Palê Zuppani |
Infelizmente, esse animal tão pacífico não convive com seres humanos tão bonzinhos assim e a espécie corre um grave risco de extinção. A destruição de seu habitat, a caça ilegal e a baixa natalidade da espécie são os fatores responsáveis por essa ameaça à existência dos muriquis. Entre as iniciativas em prol da preservação da espécie a de maior repercussão é a sua candidatura a mascote dos Jogos Olímpicos de 2016, que acontecerão no Rio de Janeiro. A campanha conta com o apoio de nomes famosos, como Chico Buarque e Camila Pitanga, e está chamando a atenção das pessoas para esse animal tão brasileiro, mas ameaçado por seus próprios compatriotas.
Fonte: "((o))eco Fauna e Flora"
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Muriqui: um brasileiro com cauda
sábado, 2 de junho de 2012
Perda de línguas e culturas está intimamente ligada à diminuição da biodiversidade
Agora, pesquisa da Universidade Penn State, nos Estados Unidos, e da
Universidade de Oxford, no Reino Unido, revela relação íntima entre a
morte de línguas e a diminuição da biodiversidade.O estudo afirma que 70% dos idiomas do planeta são encontrados em áreas ricas em biodiversidade. E, conforme as áreas são degradadas, as culturas e línguas locais se extinguem.
“Estima-se que a perda anual de espécies seja mil vezes maior que taxas históricas”, escreveram os pesquisadores na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS, na sigla em inglês).
O biólogo norte-americano Larry Gorenflo, coordenador da pesquisa, conta que as paisagens mais importantes estão se tornando cada vez menores. “Essa é uma oportunidade para integrar esforços para a conservação do meio ambiente com a conservação cultural e linguística”, pontua.
Situação no Brasil
Antes da chegada dos colonizadores, havia 6 milhões de índios em nosso país. Hoje, eles não passam de 700 mil, apenas 11% da população original, que fala cerca de 180 línguas, de acordo com a Funai.
E, desde a colonização, segundo a ONG SOS Mata Atlântica, 93% do bioma homônimo original já foi devastado.
Para se ter uma ideia mais específica, o idioma karitiana – último remanescente da família arikém, do tronco tupi – está restrito a uma tribo de aproximadamente 320 pessoas, perto de Porto Velho (RO). Por isso, o idioma corre risco constante de extinção.
E sua perda seria lastimável. O karitiana é bem próximo do idioma chinês e é desprovido de artigos e pronomes demonstrativos – até então considerados essenciais pelos especialistas ocidentais –, não apresentando flexões de número ou gênero. [BBC, BraunSchweiger-Zeitung, Funai, Usp, PennStateUniversity, Foto]
Fonte: Hypescience.com
Imagem: Hypescience.com
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Degradação florestal contribui para transmissão da febre maculosa
Resultado
de estudo irá nortear o controle da zoonose na região metropolitana de
São Paulo. Carrapatos de cães transmitem a doença a humanos.
Por Elton Alisson - Agência Fapesp
Nas regiões norte e
sul da zona metropolitana de São Paulo, onde há fragmentos de Mata Atlântica, é
possível encontrar uma espécie de carrapato, denominada Amblyomma aureolatum –
conhecida como carrapato amarelo do cão –, que é um dos transmissores da febre
maculosa (ou “febre do carrapato”). Entretanto, enquanto a região sul –
compreendida pelos municípios de Diadema, São Bernardo e Santo André – registra
desde os anos 1920 um grande número de casos da doença, na região norte –
composta pela Serra da Cantareira e os municípios de Mairiporã, Arujá e Nazaré
Paulista – não há notificação da zoonose.
Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade
de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), em
parceria com a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) da Secretaria
da Saúde do Estado de São Paulo, identificou uma hipótese para explicar a
diferença no número de casos da doença entre as duas regiões da cidade. Os
pesquisadores observaram que a ocorrência da febre maculosa está relacionada ao
estado de conservação dos fragmentos florestais nas quais está o carrapato
transmissor.
As áreas nas quais os fragmentos florestais estão mais conservados e apresentam maior diversidade de espécies de animais, como as da região norte de São Paulo, não apresentam casos da doença. Já em áreas onde a vegetação foi destruída e poucas espécies de animais permaneceram, como na região sul da cidade, há maior incidência de febre maculosa. Os resultados do estudo, realizado com apoio da Fapesp, foram publicados no início de maio no periódicoParasitology e irão nortear o controle da febre maculosa na região metropolitana de São Paulo.
“Comparamos a diversidade de animais entre as duas regiões da zona metropolitana de São Paulo e observamos que na região norte, onde não há casos da doença, as áreas de vegetação são mais bem preservadas e apresentam maior diversidade de animais, enquanto nos municípios da região sul há áreas muito pobres em espécies de animais. Isso pode ser um fator de prevalência da doença”, disse Maria Halina Ogrzewalska, autora da pesquisa, à Agência Fapesp.
De acordo com a pesquisadora polonesa, que realizou o projeto com Bolsa de Pós-Doutorado da Fapesp, em fragmentos florestais bem preservados e com grande diversidade de espécies, o carrapato Amblyomma aureolatum parasita diferentes tipos de animais silvestres, como esquilos, aves e ratos, cuja habilidade de transmitir a bactéria Rickettsia rickettsi varia.
Já nos fragmentos florestais mais degradados, onde boa parte dos animais desapareceu por consequência da destruição ambiental, os pesquisadores suspeitam que há uma chance maior de o carrapato parasitar espécies generalistas, que podem ser justamente os animais com maior capacidade de infectá-los com a bactéria causadora da febre maculosa.
“A maior diversidade de espécies de animais silvestres de uma região diminui a possibilidade de o carrapato se infectar com um patógeno, porque ele tem maior chance de se alimentar de um animal com baixa capacidade de amplificar a bactéria, o que resulta em menores taxas de infecção entre os carrapatos na região. Isso pode ser um dos fatores pelos quais em regiões de mata bem preservada não há registros de casos de febre maculosa”, apontou Ogrzewalska.
A doença é transmitida para os humanos por meio de carrapatos de cães domésticos, que ficam soltos nas comunidades situadas em bordas de mata, como as na periferia da região metropolitana de São Paulo. Ao entrarem na mata, os animais podem ser parasitados pelo carrapato e levá-los para dentro das casas, onde podem picar e infectar pessoas com a bactéria causadora da febre maculosa. Porém, os cães domésticos possuem anticorpos específicos contra a bactéria Rickettsia rickettsi e, em função disso, geralmente não adoecem e apresentam cura espontânea. Por isso, são considerados ótimos “sentinelas”.
Já em humanos infectados, se não forem tratados a tempo, a febre maculosa pode ser letal. “Estimamos que, nessas áreas da região metropolitana de São Paulo que registram casos da doença, se os pacientes não forem tratados a tempo a letalidade pode chegar a quase 100%”, disse Adriano Pinter, pesquisador da Sucen.
Exceção à regra
Para avaliar se havia diferenças no número de casos da doença e na diversidade de animais hospedeiros do carrapato nos fragmentos florestais das regiões norte e sul da região metropolitana de São Paulo, os pesquisadores realizaram ao longo de um ano coletas de animais silvestres e cães domésticos. As coletas foram feitas nos municípios de Diadema, São Bernardo, Santo André, Mairiporã, Arujá, Nazaré Paulista e na região do Horto Florestal, na zona norte da capital, de modo a estudar os carrapatos presentes e verificar se estavam infectados pela bactéria.
As análises em laboratório revelaram que os carrapatos coletados em São Bernardo e Diadema estavam infectados pela Rickettsia rickettsi e que os cachorros capturados nos dois municípios também apresentavam a doença, detectada pela presença de anticorpos na corrente sanguínea. Já os carrapatos e cães capturados em Mairiporã, Arujá, Nazaré Paulista e na região do Horto Florestal e em Santo André não apresentaram a bactéria. O que, no caso de Santo André, foi uma surpresa para os pesquisadores.
“Nós também esperávamos encontrar a doença em Santo André, que está em uma área consagrada de transmissão da febre maculosa e localizada a apenas 4 quilômetros de distância de outro fragmento florestal onde foi detectada a presença da bactéria”, afirmou Ogrzewalska. Ao comparar o estado de preservação do fragmento de floresta de Santo André com o dos outros seis municípios avaliados no estudo, os pesquisadores observaram que ele era muito mais parecido com o da região norte, em termos de diversidade de espécies de animais silvestres.
Além disso, o fragmento de floresta de Santo André era menos isolado do que os outros da região sul – que são menores e espaçados uns dos outros –, possuindo corredores ecológicos que possibilitam o fluxo dos animais entre os fragmentos de mata. “As áreas de pico de febre maculosa na região metropolitana de São Paulo coincindem com essas áreas de vegetação muito fragmentadas, isoladas e sem conexão entre elas, que impede que os animais possam transitar”, afirmou Pinter.
De acordo com o pesquisador, baseado nos resultados do projeto, a Sucen está analisando imagens dos fragmentos florestais de toda a região metropolitana de São Paulo para encontrar áreas com o mesmo perfil de fragmentação das áreas estudadas com a presença da doença para que possa ser direcionando o controle da febre maculosa.
As áreas nas quais os fragmentos florestais estão mais conservados e apresentam maior diversidade de espécies de animais, como as da região norte de São Paulo, não apresentam casos da doença. Já em áreas onde a vegetação foi destruída e poucas espécies de animais permaneceram, como na região sul da cidade, há maior incidência de febre maculosa. Os resultados do estudo, realizado com apoio da Fapesp, foram publicados no início de maio no periódicoParasitology e irão nortear o controle da febre maculosa na região metropolitana de São Paulo.
“Comparamos a diversidade de animais entre as duas regiões da zona metropolitana de São Paulo e observamos que na região norte, onde não há casos da doença, as áreas de vegetação são mais bem preservadas e apresentam maior diversidade de animais, enquanto nos municípios da região sul há áreas muito pobres em espécies de animais. Isso pode ser um fator de prevalência da doença”, disse Maria Halina Ogrzewalska, autora da pesquisa, à Agência Fapesp.
De acordo com a pesquisadora polonesa, que realizou o projeto com Bolsa de Pós-Doutorado da Fapesp, em fragmentos florestais bem preservados e com grande diversidade de espécies, o carrapato Amblyomma aureolatum parasita diferentes tipos de animais silvestres, como esquilos, aves e ratos, cuja habilidade de transmitir a bactéria Rickettsia rickettsi varia.
Já nos fragmentos florestais mais degradados, onde boa parte dos animais desapareceu por consequência da destruição ambiental, os pesquisadores suspeitam que há uma chance maior de o carrapato parasitar espécies generalistas, que podem ser justamente os animais com maior capacidade de infectá-los com a bactéria causadora da febre maculosa.
“A maior diversidade de espécies de animais silvestres de uma região diminui a possibilidade de o carrapato se infectar com um patógeno, porque ele tem maior chance de se alimentar de um animal com baixa capacidade de amplificar a bactéria, o que resulta em menores taxas de infecção entre os carrapatos na região. Isso pode ser um dos fatores pelos quais em regiões de mata bem preservada não há registros de casos de febre maculosa”, apontou Ogrzewalska.
A doença é transmitida para os humanos por meio de carrapatos de cães domésticos, que ficam soltos nas comunidades situadas em bordas de mata, como as na periferia da região metropolitana de São Paulo. Ao entrarem na mata, os animais podem ser parasitados pelo carrapato e levá-los para dentro das casas, onde podem picar e infectar pessoas com a bactéria causadora da febre maculosa. Porém, os cães domésticos possuem anticorpos específicos contra a bactéria Rickettsia rickettsi e, em função disso, geralmente não adoecem e apresentam cura espontânea. Por isso, são considerados ótimos “sentinelas”.
Já em humanos infectados, se não forem tratados a tempo, a febre maculosa pode ser letal. “Estimamos que, nessas áreas da região metropolitana de São Paulo que registram casos da doença, se os pacientes não forem tratados a tempo a letalidade pode chegar a quase 100%”, disse Adriano Pinter, pesquisador da Sucen.
Exceção à regra
Para avaliar se havia diferenças no número de casos da doença e na diversidade de animais hospedeiros do carrapato nos fragmentos florestais das regiões norte e sul da região metropolitana de São Paulo, os pesquisadores realizaram ao longo de um ano coletas de animais silvestres e cães domésticos. As coletas foram feitas nos municípios de Diadema, São Bernardo, Santo André, Mairiporã, Arujá, Nazaré Paulista e na região do Horto Florestal, na zona norte da capital, de modo a estudar os carrapatos presentes e verificar se estavam infectados pela bactéria.
As análises em laboratório revelaram que os carrapatos coletados em São Bernardo e Diadema estavam infectados pela Rickettsia rickettsi e que os cachorros capturados nos dois municípios também apresentavam a doença, detectada pela presença de anticorpos na corrente sanguínea. Já os carrapatos e cães capturados em Mairiporã, Arujá, Nazaré Paulista e na região do Horto Florestal e em Santo André não apresentaram a bactéria. O que, no caso de Santo André, foi uma surpresa para os pesquisadores.
“Nós também esperávamos encontrar a doença em Santo André, que está em uma área consagrada de transmissão da febre maculosa e localizada a apenas 4 quilômetros de distância de outro fragmento florestal onde foi detectada a presença da bactéria”, afirmou Ogrzewalska. Ao comparar o estado de preservação do fragmento de floresta de Santo André com o dos outros seis municípios avaliados no estudo, os pesquisadores observaram que ele era muito mais parecido com o da região norte, em termos de diversidade de espécies de animais silvestres.
Além disso, o fragmento de floresta de Santo André era menos isolado do que os outros da região sul – que são menores e espaçados uns dos outros –, possuindo corredores ecológicos que possibilitam o fluxo dos animais entre os fragmentos de mata. “As áreas de pico de febre maculosa na região metropolitana de São Paulo coincindem com essas áreas de vegetação muito fragmentadas, isoladas e sem conexão entre elas, que impede que os animais possam transitar”, afirmou Pinter.
De acordo com o pesquisador, baseado nos resultados do projeto, a Sucen está analisando imagens dos fragmentos florestais de toda a região metropolitana de São Paulo para encontrar áreas com o mesmo perfil de fragmentação das áreas estudadas com a presença da doença para que possa ser direcionando o controle da febre maculosa.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Como construir uma horta sem cavar
Quer ter uma horta em casa com pouco trabalho? Uma ideia é fazer uma
horta sem cavar, ou seja, sem danificar o solo ou grama do seu jardim.
Veja abaixo o que você precisa e como fazer:
Material:
material para cercar (pode ser sarrafos de madeira ou outro material que você já tenha em casa)
jornal
palha
fertilizante orgânico
estrume
composto orgânico
mudas
Como fazer:
1. Escolha um local adequado e ensolarado no seu jardim para montar a horta.
2. Pense no tamanho do canteiro e delimite com o material escolhido. Pode ser madeira, tijolos, troncos, pedras… enfim, escolha aquilo que você já tiver em casa!
3. Dica para remover ervas daninhas: cubra o terreno do canteiro com uma camada de cerca de um centímetro de jornal úmido.
4. Em seguida, é só cobrir o jornal com camadas dos outros materiais na seguinte ordem: palha, fertilizante orgânico, palha, esterco, palha e composto orgânico.
5. Regue e deixe o espaço descansar por dois dias.
6. Plante as mudas desejadas. Comece com plantas com raízes mais curtas, como a alface. Aos poucos, as camadas vão se misturando e começam a parecer uma terra. Aí sim você pode começar a plantar mudas com raízes mais longas.
Se você mora em apartamento, você pode montar uma horta semelhante a essa, mas você precisa de um vaso grande com terra (e em seguida seguir os passos) ou colocar uma camada de terra na varanda (nesse caso, você precisa de acompanhamento técnico para adequar a drenagem de líquidos e para não prejudicar a estrutura da construção).
Fonte: http://atitudesustentavel.uol.com.br
Material:
material para cercar (pode ser sarrafos de madeira ou outro material que você já tenha em casa)
jornal
palha
fertilizante orgânico
estrume
composto orgânico
mudas
Como fazer:
1. Escolha um local adequado e ensolarado no seu jardim para montar a horta.
2. Pense no tamanho do canteiro e delimite com o material escolhido. Pode ser madeira, tijolos, troncos, pedras… enfim, escolha aquilo que você já tiver em casa!
3. Dica para remover ervas daninhas: cubra o terreno do canteiro com uma camada de cerca de um centímetro de jornal úmido.
4. Em seguida, é só cobrir o jornal com camadas dos outros materiais na seguinte ordem: palha, fertilizante orgânico, palha, esterco, palha e composto orgânico.
5. Regue e deixe o espaço descansar por dois dias.
6. Plante as mudas desejadas. Comece com plantas com raízes mais curtas, como a alface. Aos poucos, as camadas vão se misturando e começam a parecer uma terra. Aí sim você pode começar a plantar mudas com raízes mais longas.
Se você mora em apartamento, você pode montar uma horta semelhante a essa, mas você precisa de um vaso grande com terra (e em seguida seguir os passos) ou colocar uma camada de terra na varanda (nesse caso, você precisa de acompanhamento técnico para adequar a drenagem de líquidos e para não prejudicar a estrutura da construção).
Fonte: http://atitudesustentavel.uol.com.br
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Pelo poder de dizer NÃO ao que nos negam o SIM num mundo melhor
As pessoas, na verdade, tem todo o direito de ser como sao e de escolherem o
que acham melhor para si próprias e suas organizações. O que não podem ter é o
direito de impor aos outros os sacrifícios de suas escolhas e do seu jeito de
ser.
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| Por Vilmar Sidnei Demamam Berna | |
Imagine que no futuro as novas gerações queiram saber, diante do meio ambiente destruído, da fome e da exclusão social, onde estávamos, se do lado que empunhava o machado e o chicote ou do que os combatia? Que legado gostaríamos de deixar para o futuro? A resposta a esta pergunta nos remete diretamente aos indicadores de sucesso que adotamos no presente. Se nossos indicadores de sucesso forem econômicos, deixar uma gorda conta bancária, patrimônios, ou uma posição invejável na lista dos mais ricos, poderá parecer um legado importante, e os sacrifícios que impusermos aos outros ou a nós próprios, parecerão suportáveis e até moralmente defensáveis. Nossa inteligencia e capacidade de abstracao consegue justificar o injustificável. O dinheiro, o poder, sao capazes de cegar. A humanidade ja passou por varios episodios de extincao de civilizacoes inteiras que não conseguiram se adaptar aos danos e sacrificios de suas proprias escolhas e que desapareceram. Não eram diferentes de nos. Na epoca, tambem deve ter existido alertas para os riscos, mas a historia indica que não foram ouvidos. O fato é que enquanto alguns se importam com meio ambiente, justiça social, sustentabilidade, outros simplesmente não se importam e encontram uma desculpa qualquer para justificar suas escolhas. Ao contrário do que dizia o profeta, 'gentileza não gera gentileza'. Pessoas que valorizam mais seus lucros econômicos, cargos, salários, posições políticas não se deixarão convencer facilmente. Do ponto de vista da utopia, pode ser reconfortante imaginar um mundo onde o amor irá superar tudo, onde as pessoas sao boas naturalmente e no momento derradeiro irão mudar e se convencer. Infelizmente, a realidade nos mostra que não é bem assim, e que agora, nossa capacidade de causar danos e sacrificios deixou de ter impactos locais para afetar o Planeta como um todo. Se evoluimos tecnologicamente, do ponto de vista do espirito humano continuamos nascendo um 'vir a ser' e, dependendo de nossas escolhas e de nosso amadurecimento, podemos tomar atitudes gananciosas ou solidarias, sermos oportunistas ou generosos, arrogantes ou humildes. Nem sempre a gentileza alheia é capaz de comover e contagiar outras pessoas. Tem gente que se for deixada sem limites pode se aproveitar da situacao, tomando mais para si do que os outros. As pessoas, na verdade, tem todo o direito de ser como sao e de escolherem o que acham melhor para si próprias e suas organizações. O que não podem ter é o direito de impor aos outros os sacrifícios de suas escolhas e do seu jeito de ser. As empresas, a sociedade, as organizações, os governos sao na verdade abstrações jurídicas. Por detrás delas estão pessoas, que amam ou odeiam, que sao gananciosas ou generosas, brilhantes ou estúpidas, que sofrem ou causam sofrimento a outros, e, principalmente, que fazem escolhas que afetam, para o bem e para o mal, a vida de outras pessoas. Ao escolhermos a vida em sociedade abrimos mao de fazermos justiça pelas proprias maos, com a promessa de que as autoridades que ajudamos a eleger serao arbritos isentos entre os diferentes interesses da sociedade. Entretanto, quando se afrouxa o tecido social, quando a cidadania cede lugar aos interesses privados, o aparelho do Estado que devia nos proteger pode se virar contra nos, capturado pelos poderosos que o usam para atingir seus fins privados. Neste sentido, a sustentabilidade, muito mais que apenas ser uma mudança de tecnologias, gestao ou economia, exige o estabelecimento de um novo pacto civilizatorio, onde definitivamente precisamos aprender a conviver de uma outra maneira, diferente da que fizemos até aqui, com o meio ambiente, as demais especies e nossos proprios semelhantes. E rever nossas relacoes com o poder é uma delas. O poder de escolher não é igual para todos. Quando elegemos alguém, quando consumimos produtos que alguém colocou no mercado, transferimos para eles, de forma ativa, através de nosso apoio, uma parte de nosso poder de escolha. E também fazemos isso de forma passiva, quando escolhemos não nos ' meter ' com política, quando condicionamos nossa participação na esfera pública ou da ação da cidadania à obtenção de vantagens pessoais, quando nos recusamos a querer saber sobre assuntos que afetam a vida em sociedade ou à nossa existência no Planeta, quando aceitamos as promessas da propaganda ou de felicidade no consumo. Em vez de continuarmos concordando em ser massa de manobra dos poderosos para atingirem seus objetivos, temos o poder de dizer NÃO. E não por que somos 'do contra', mas por que somos a favor de um outro mundo que consideramos possível, ambientalmente sustentável, socialmente justo e, claro, viável economicamente. É natural, numa sociedade humana, onde as pessoas sao diferentes umas das outras, com visoes de mundo e ideias diferentes, que existam conflitos. A paz não resulta da ausência de conflitos, mas da justiça. O mundo real quase nunca é o mundo dos nossos sonhos, mas deveria ser o mundo onde o possível resultaria do esforço coletivo em buscar o consenso, onde cada um deve ceder um pouco para viabilizar a vida em sociedade. Ter acesso à informação plural, independente, sobre os vários lados e versões dos fatos, é fundamental para que as pessoas possam escolher que caminho seguir, assim como dispor de espaços e canais democráticos de negociação dos conflitos é fundamental para se buscar o consenso entre o mundo dos sonhos e a realidade, que torna possível a vida em sociedade. Quando a informacao é falsa, mentirosa, tendenciosa, manipulada, compromete a vida em sociedade, a paz, a justiça. Quando os políticos substituem os interesses públicos para cuidar dos privados também traem a população que os elegeu. Os parlamentos são o espaço democrático por excelência, onde os temas em conflito, a tendencias, as decisoes dos governantes deveriam estar em debate, até que se encontrasse o consenso possível que permitisse a paz social, em vez de transferir para a Justiça, ou o que é pior, para a Policia, o papel de intermediação de conflitos, por que quando se tem de apelar para a Policia, diante de um conflito social, é por que falharam os políticos. Não recebemos a vida como ela é, pronta e acabada, muito menos temos de aceitar as coisas como são. Nós, eleitores, consumidores, cidadãos, podemos mudar, podemos, com nossas escolhas, dar ou retirar a força aos poderosos. Resta saber se queremos. A cada eleiçao, temos a possibilidade de recusar ou confirmar apoio politico ao transferir pelo voto nosso poder de escolha aos que nos representam no Governo ou no Parlamento. E em nosso dia a dia, em cada ato de consumo, podemos renovar ou retirar a força aos poderosos do mercado, ao escolher comprar a sustentabilidade ou recusar a insustentabilidade. O futuro está em nossas maos, e escolhas. Cabe nos perguntar onde colocamos os nossos sonhos? Que visao temos para o futuro? Que legado esperamos deixar para o mundo?
Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental (www.rebia.org.br ),
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Conheça todos os 12 vetos ao novo Código Florestal
por Redação EcoD
Impedir a anistia a quem desmatou e proibir a produção agropecuária em áreas de proteção permanente (APPs) foram alguns dos principais objetivos da presidenta Dilma Rousseff ao vetar parte do novo Código Florestal na sexta-feira, 25 de maio. Os vetos de 12 artigos resgatam o teor do acordo firmado entre os líderes partidários e o governo durante a tramitação da proposta no Senado.
O Artigo 1º, que foi modificado pelos deputados após aprovação da proposta no Senado, foi vetado. Na medida provisória (MP) publicada hoje (28) no Diário Oficial da União, o Palácio do Planalto devolve ao texto do Código Florestal os princípios que haviam sido incorporados no Senado e suprimidos, posteriormente, na segunda votação na Câmara. A MP foi o instrumento usado pelo governo para evitar lacunas no texto final.
Também foi vetado o Inciso 11 do Artigo 3º da lei, que trata das atividades eventuais ou de baixo impacto. O veto retirou do texto o chamado pousio: prática de interrupção temporária de atividade agrícolas, pecuárias ou silviculturais, para permitir a recuperação do solo.
Recebeu veto ainda o Parágrafo 3º do Artigo 4º que não considerava área de proteção permanente (APP)
a várzea (terreno às margens de rios, inundadas em época de cheia) fora
dos limites estabelecidos, exceto quanto houvesse ato do Poder Público.
O dispositivo vetado ainda estendia essa regra aos salgados e apicuns –
áreas destinadas à criação de mariscos e camarões.
Foram vetados também os parágrafos 7º e 8º. O primeiro estabelecia que, nas áreas urbanas, as faixas marginais de qualquer curso d’água natural que delimitem as áreas das faixas de passagem de inundação (áreas que alagam na ápoca de cheia) teriam sua largura determinada pelos respectivos planos diretores e pela Lei de Uso do Solo, ouvidos os conselhos estaduais e municipais do Meio Ambiente. Já o Parágrafo 8º previa que, no caso de áreas urbanas e regiões metropolitanas, seria observado o dispositivo nos respectivos planos diretores e leis municipais de uso do solo.
O Parágrafo 3º do Artigo 5º também foi vetado. O dispositivo previa que o Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatório Artificial poderia indicar áreas para implantação de parques aquícolas e polos turísticos e de lazer em torno do reservatório, de acordo com o que fosse definido nos termos do licenciamento ambiental, respeitadas as exigências previstas na lei.
Já no Artigo 26,
que trata da supressão de vegetação nativa para uso alternativo do solo
tanto de domínio público quanto privado, foram vetados o 1º e 2º parágrafos. Os dispositivos detalhavam os órgãos competentes para autorizar a supressão e incluía, entre eles, os municipais do Meio Ambiente.
A presidenta Dilma Rousseff também vetou integralmente o Artigo 43. Pelo dispositivo, as empresas concessionárias de serviços de abastecimento de água e geração de energia elétrica, públicas ou privadas, deveriam investir na recuperação e na manutenção de vegetação nativa em áreas de proteção permanente existente na bacia hidrográfica em que ocorrer a exploração.
Um dos pontos que mais provocaram polêmica durante a tramitação do código no Congresso, o Artigo 61, foi vetado. O trecho autorizava, exclusivamente, a continuidade das atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e turismo rural em áreas rurais consolidadas até 22 de julho de 2008.
Também foram vetados integramente os artigos 76 e 77. O primeiro estabelecia prazo de três anos para que o Poder Executivo enviasse ao Congresso projeto de lei com a finalidade de estabelecer as especificidades da conservação, da proteção, da regeneração e da utilização dos biomas da Amazônia, do Cerrado, da Caatinga, do Pantanal e do Pampa. Já o Artigo 77 previa que na instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente seria exigida do empreendedor, público ou privado, a proposta de diretrizes de ocupação do imóvel.
A MP que complementa o projeto, publicada nesta segunda-feira (28), vale por 60 dias, podendo ser prorrogada por mais 60 dias – ela ainda será votada pelo Congresso.
Os
ministros anunciaram vetos em 12 itens e 32 modificações no texto do
Código Florestal, feitos pela presidenta Dilma Rousseff, na última
semana. Foto: José Cruz/ABr
Impedir a anistia a quem desmatou e proibir a produção agropecuária em áreas de proteção permanente (APPs) foram alguns dos principais objetivos da presidenta Dilma Rousseff ao vetar parte do novo Código Florestal na sexta-feira, 25 de maio. Os vetos de 12 artigos resgatam o teor do acordo firmado entre os líderes partidários e o governo durante a tramitação da proposta no Senado.
O Artigo 1º, que foi modificado pelos deputados após aprovação da proposta no Senado, foi vetado. Na medida provisória (MP) publicada hoje (28) no Diário Oficial da União, o Palácio do Planalto devolve ao texto do Código Florestal os princípios que haviam sido incorporados no Senado e suprimidos, posteriormente, na segunda votação na Câmara. A MP foi o instrumento usado pelo governo para evitar lacunas no texto final.
Também foi vetado o Inciso 11 do Artigo 3º da lei, que trata das atividades eventuais ou de baixo impacto. O veto retirou do texto o chamado pousio: prática de interrupção temporária de atividade agrícolas, pecuárias ou silviculturais, para permitir a recuperação do solo.
Artigo 61
previa a continuidade das atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e
turismo rural em áreas rurais consolidadas até 22 de julho de 2008 - o
governo vetou. Foto: leoffreitas
Foram vetados também os parágrafos 7º e 8º. O primeiro estabelecia que, nas áreas urbanas, as faixas marginais de qualquer curso d’água natural que delimitem as áreas das faixas de passagem de inundação (áreas que alagam na ápoca de cheia) teriam sua largura determinada pelos respectivos planos diretores e pela Lei de Uso do Solo, ouvidos os conselhos estaduais e municipais do Meio Ambiente. Já o Parágrafo 8º previa que, no caso de áreas urbanas e regiões metropolitanas, seria observado o dispositivo nos respectivos planos diretores e leis municipais de uso do solo.
O Parágrafo 3º do Artigo 5º também foi vetado. O dispositivo previa que o Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatório Artificial poderia indicar áreas para implantação de parques aquícolas e polos turísticos e de lazer em torno do reservatório, de acordo com o que fosse definido nos termos do licenciamento ambiental, respeitadas as exigências previstas na lei.
APP em Minas
Gerais. Parágrafo 3º do Artigo 4º desconsiderava área de proteção
permanente (APP) a várzea (terreno às margens de rios, inundadas em
época de cheia) fora dos limites estabelecidos, exceto quanto houvesse
ato do Poder Público. Foto: Paula FJ
A presidenta Dilma Rousseff também vetou integralmente o Artigo 43. Pelo dispositivo, as empresas concessionárias de serviços de abastecimento de água e geração de energia elétrica, públicas ou privadas, deveriam investir na recuperação e na manutenção de vegetação nativa em áreas de proteção permanente existente na bacia hidrográfica em que ocorrer a exploração.
Um dos pontos que mais provocaram polêmica durante a tramitação do código no Congresso, o Artigo 61, foi vetado. O trecho autorizava, exclusivamente, a continuidade das atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e turismo rural em áreas rurais consolidadas até 22 de julho de 2008.
Também foram vetados integramente os artigos 76 e 77. O primeiro estabelecia prazo de três anos para que o Poder Executivo enviasse ao Congresso projeto de lei com a finalidade de estabelecer as especificidades da conservação, da proteção, da regeneração e da utilização dos biomas da Amazônia, do Cerrado, da Caatinga, do Pantanal e do Pampa. Já o Artigo 77 previa que na instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente seria exigida do empreendedor, público ou privado, a proposta de diretrizes de ocupação do imóvel.
A MP que complementa o projeto, publicada nesta segunda-feira (28), vale por 60 dias, podendo ser prorrogada por mais 60 dias – ela ainda será votada pelo Congresso.
Envolverde
* Publicado originalmente no site da EcoD.
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Os 12 vetos ao novo Código Florestal
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Soluções permanentes para os problemas ambientais? Só mesmo através da educação ambiental
A educação ambiental é um processo permanente no qual os indivíduos e a sociedade tomam consciência do seu meio ambiente e adquirem conhecimentos, habilidades, experiências, valores e a determinação que os tornam capazes de agir individual ou coletivamente, na busca de soluções para os problemas ambientais presentes e futuros”. Resolução da Unesco — 1987.
Vinte e quatro anos depois podemos afirmar que pouca coisa mudou em relação ao que recomenda esta resolução tão importante para a consciência das pessoas e a sustentabilidade.
Educação ambiental é obrigatória em todos os níveis escolares na maioria dos países desenvolvidos e em desenvolvimento e, no Brasil o é pela Lei 9.795 votada e aprovada pelo congresso em 1999 como matéria transversal , pluralista e permanente. Apesar disso, o que se vê na hora de aplicar os princípios de conservação da vida nos bancos escolares, é diametralmente oposto ao que ocorre na realidade dos frenéticos mercados de bens de consumo e serviços.
A sociedade na sua busca pelo desenvolvimento, “sabe” dividir muito bem suas linhas de interesse:a produção dos bens de consumo e a oferta de serviços ocorrem em progressão geométrica, enquanto a consciência e o fundamento da preservação de recursos, do uso da água e da energia — que deveriam ser conhecimentos permanentes e sustentáveis — ocorrem em progressão aritmética, comprometendo a vida no planeta de forma definitiva e inexorável.
Tudo que produzimos, consumimos e usamos, explorando os recursos naturais são de origem do próprio planeta — a Terra é uma imensa nave, uma joia única e rara no universo, mas, é um sistema fechado —, com exceção da energia solar que é abundante e vem de fora, todo o resto, significa degradação e perdas para o frágil sistema de vida aqui existente. Este princípio básico e elementar deveria ser o ponto de partida para mudarmos o pensamento das futuras gerações através da escola.
No entanto, o sistema de passagem de conhecimentos socioambientais praticado na grande maioria das escolas é incipiente, fraco e permissivo a ponto de nos levar a compará-lo aos períodos negros da história do homem em que a falta de conhecimento e discernimento eram garantia de longos e tranquilos reinados e impérios. Hoje, temos a nos dominar, o império da ganância, do conforto e do desperdício para poucos, o império da miséria, da fome e da sede para a grande maioria e, o aquecimento global e o desequilíbrio ambiental para todos.
Só mesmo a formação permanente de cidadãos com conhecimento e discernimento suficientes para colocar suas novas consciências a serviço da vida, pode dar nova cara à preservação e proteção ambientais e, ao desenvolvimento sustentável. Isto, (a consciência) será na verdade, o divisor de águas na hora de recusar ações da própria sociedade ou dos governos, que não contemplem uma gestão socioambiental correta.
Sabemos que essa mudança pode não ser uma tarefa fácil, nem rápida, porém, — já que a escola é o espelho da sociedade — é preciso começá-la de forma prioritária e definitiva o mais breve possível para que os seus reflexos não sejam tardios.
Os planos curriculares contemplam a educação ambiental ainda de maneira acanhada, inserindo em cada disciplina pequenos trechos como se a matéria fosse de menor importância. Estimulam em excesso o estudo de flora e fauna como se fossem os únicos elementos do planeta e esquecem das relações do principal agente no meio ambiente;o homem, que degrada e, também pode preservar e proteger recursos.
Assim, essas mazelas vão se somando e se perpetuando no sistema de ensino, refletindo mais tarde no pensamento enviesado da sociedade sobre preservação e conservação da vida e dos recursos naturais.
É imprescindível abrir mais espaços nas disciplinas já obrigatórias, para o tema Educação Ambiental cujo objetivo final — a preservação e manutenção da vida para todos — é maior que todos os outros, ou até mesmo, criar na grade curricular uma disciplina específica e transversal com carga horária semelhante às outras e apropriada para formar cidadãos com consciência suficiente para reverter o quadro degradante da atualidade.
Em conjunto com estas medidas, é preciso melhorar e ampliar a produção intelectual de livros, publicações, pesquisas e experiências práticas, cuja finalidade seria não só resolver problemas socioambientais, mas também, repassar as ações como conhecimento através da escola.
Educação ambiental é um tema amplo, vasto e importantíssimo, cujos conteúdos podem transitar desde noções elementares para os primeiros anos do ensino, até conceitos avançados de alta tecnologia para o ensino superior.
Não podemos esperar, temos de agir decisivamente para que novos conhecimentos e novos valores aliados à vontade individual e à vontade política, tragam-nos soluções permanentes para os problemas ambientais de hoje e do futuro.
Autor: Francisco Pincerato
Fonte: Envolverde; Revista Digital de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Vinte e quatro anos depois podemos afirmar que pouca coisa mudou em relação ao que recomenda esta resolução tão importante para a consciência das pessoas e a sustentabilidade.
Educação ambiental é obrigatória em todos os níveis escolares na maioria dos países desenvolvidos e em desenvolvimento e, no Brasil o é pela Lei 9.795 votada e aprovada pelo congresso em 1999 como matéria transversal , pluralista e permanente. Apesar disso, o que se vê na hora de aplicar os princípios de conservação da vida nos bancos escolares, é diametralmente oposto ao que ocorre na realidade dos frenéticos mercados de bens de consumo e serviços.
A sociedade na sua busca pelo desenvolvimento, “sabe” dividir muito bem suas linhas de interesse:a produção dos bens de consumo e a oferta de serviços ocorrem em progressão geométrica, enquanto a consciência e o fundamento da preservação de recursos, do uso da água e da energia — que deveriam ser conhecimentos permanentes e sustentáveis — ocorrem em progressão aritmética, comprometendo a vida no planeta de forma definitiva e inexorável.
Tudo que produzimos, consumimos e usamos, explorando os recursos naturais são de origem do próprio planeta — a Terra é uma imensa nave, uma joia única e rara no universo, mas, é um sistema fechado —, com exceção da energia solar que é abundante e vem de fora, todo o resto, significa degradação e perdas para o frágil sistema de vida aqui existente. Este princípio básico e elementar deveria ser o ponto de partida para mudarmos o pensamento das futuras gerações através da escola.
No entanto, o sistema de passagem de conhecimentos socioambientais praticado na grande maioria das escolas é incipiente, fraco e permissivo a ponto de nos levar a compará-lo aos períodos negros da história do homem em que a falta de conhecimento e discernimento eram garantia de longos e tranquilos reinados e impérios. Hoje, temos a nos dominar, o império da ganância, do conforto e do desperdício para poucos, o império da miséria, da fome e da sede para a grande maioria e, o aquecimento global e o desequilíbrio ambiental para todos.
Só mesmo a formação permanente de cidadãos com conhecimento e discernimento suficientes para colocar suas novas consciências a serviço da vida, pode dar nova cara à preservação e proteção ambientais e, ao desenvolvimento sustentável. Isto, (a consciência) será na verdade, o divisor de águas na hora de recusar ações da própria sociedade ou dos governos, que não contemplem uma gestão socioambiental correta.
Sabemos que essa mudança pode não ser uma tarefa fácil, nem rápida, porém, — já que a escola é o espelho da sociedade — é preciso começá-la de forma prioritária e definitiva o mais breve possível para que os seus reflexos não sejam tardios.
Os planos curriculares contemplam a educação ambiental ainda de maneira acanhada, inserindo em cada disciplina pequenos trechos como se a matéria fosse de menor importância. Estimulam em excesso o estudo de flora e fauna como se fossem os únicos elementos do planeta e esquecem das relações do principal agente no meio ambiente;o homem, que degrada e, também pode preservar e proteger recursos.
Assim, essas mazelas vão se somando e se perpetuando no sistema de ensino, refletindo mais tarde no pensamento enviesado da sociedade sobre preservação e conservação da vida e dos recursos naturais.
É imprescindível abrir mais espaços nas disciplinas já obrigatórias, para o tema Educação Ambiental cujo objetivo final — a preservação e manutenção da vida para todos — é maior que todos os outros, ou até mesmo, criar na grade curricular uma disciplina específica e transversal com carga horária semelhante às outras e apropriada para formar cidadãos com consciência suficiente para reverter o quadro degradante da atualidade.
Em conjunto com estas medidas, é preciso melhorar e ampliar a produção intelectual de livros, publicações, pesquisas e experiências práticas, cuja finalidade seria não só resolver problemas socioambientais, mas também, repassar as ações como conhecimento através da escola.
Educação ambiental é um tema amplo, vasto e importantíssimo, cujos conteúdos podem transitar desde noções elementares para os primeiros anos do ensino, até conceitos avançados de alta tecnologia para o ensino superior.
Não podemos esperar, temos de agir decisivamente para que novos conhecimentos e novos valores aliados à vontade individual e à vontade política, tragam-nos soluções permanentes para os problemas ambientais de hoje e do futuro.
Autor: Francisco Pincerato
Fonte: Envolverde; Revista Digital de Meio Ambiente e Desenvolvimento
*Francisco Pincerato é ambientalista e autor de livros, gibis didáticos e jogos pedagógicos sobre educação ambiental. Tem obras adotadas por várias prefeituras, pelo Instituto Ayrton Senna e até por empresas em campanhas de educação e saneamento ambientais.
sexta-feira, 4 de março de 2011
"Aos poucos vamos mudar essa ideia de quem é rico usa carro e quem é pobre usa bicicleta''.
Entrevista especial com Olavo Ludwig Jr. e Paulo Alves
Na última sexta-feira, 25 de fevereiro, ciclistas foram atropelados em Porto Alegre ao participarem de uma manifestação a favor do uso de bicicletas no tráfego urbano. Ricardo Neis, que dirigia um Golf preto, atingiu os manifestantes que circulavam na rua José do Patrocínio. “Fiquei em estado de choque, vendo todas aquelas pessoas no chão, feridas. Fico desapontado, pois a vida ficou em último lugar”, declarou Paulo Alves, presidente da Associação Ciclística da Zona Sul (ACZS) e diretor da Federação Gaúcha de Ciclismo, à IHU On-Line, em entrevista concedida por e-mail.
O fato reabriu a discussão sobre a violência no trânsito, a mobilidade urbana, a relação de respeito entre ciclistas e motoristas de automóveis, além de suscitar a conscientização ecológica do uso da bicicleta como meio de transporte.
Olavo Ludwig Jr., integrante do Massa Crítica, movimento responsável pela organização da manifestação, há quatro anos utiliza a bicicleta como principal meio de transporte e, diariamente, percorre cerca de 20 quilômetros. Ele não participou do último encontro, mas disse que a atitude do motorista representa “a insanidade social que estamos vivendo. As pessoas se sentem como se estivessem de volta à selva, onde vale a lei do mais forte”. Em entrevista à IHU On-Line, por telefone, ele fala da falta de conscientização da população e menciona que, no Brasil, o automóvel ainda é sinônimo de status social. “Quanto mais dinheiro a pessoa ganha, maior é o carro. (...) Infelizmente, no imaginário coletivo ainda está presente a ideia de que quem anda de bicicleta é pobre, operário e não tem dinheiro para comprar um carro e, por isso, teria menos valor de quem está de carro.”
Olavo Ludwig Jr. é formado em Física pela Universidade Federal do Rio Grade do Sul (UFRGS) e trabalha no controle de qualidade da água, no Departamento de Água e Esgoto (Demae).
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Qual é a origem do movimento Massa Crítica? Que reflexões vocês propõem para a sociedade a partir do encontro de ciclistas?
Olavo Ludwig Jr.– O movimento surgiu em São Francisco, nos EUA, em 1992, quando oito ciclistas se reuniram e foram pedalar pelas ruas da cidade. A cada mês, mais pessoas começaram a aderir ao movimento e hoje há adeptos no mundo todo, inclusive em Budapeste, onde existe o maior número de ciclistas: 50 mil.
A ideia do Massa Crítica é celebrar o uso da bicicleta. Normalmente as pessoas já a utilizam como meio de transporte e, em um dia especifico do mês, se reúnem para mostrar à sociedade que existe vida além do automóvel. Dizem que o carro é uma necessidade, mas queremos mostrar que essa necessidade é superestimada e existem alternativas a esse meio de transporte.
IHU On-Line – Como e com que objetivo surgiu a Associação Ciclística da Zona Sul (ACZS)?
Paulo Alves – A ACZS surgiu em 1994, na zona sul de Porto Alegre, nos bairros Tristeza e Ipanema, tendo o objetivo principal de preservar os morros da zona sul. Com o passar dos anos, começamos a incentivar o uso da bike como transporte. Hoje estamos mais do que nunca empenhados com a educação de trânsito voltada para ciclistas e motoristas.
IHU On-Line – Você estava presente no dia do atropelamento de vários ciclistas, em Porto Alegre? Pode nos contar como tudo aconteceu?
Paulo Alves – Sim. Vi quando o carro tentou passar pela primeira vez, onde foi impedido pela massa. Logo após, teve discussão, mas não houve violência contra o veículo. Duas quadras para frente, ele acelerou, foi quando ouvi um barulho diferente que me chamou a atenção. Não tive reação e o automóvel passou a menos de um metro da minha pessoa.
IHU On-Line – Qual sua sensação diante do atropelamento?
Paulo Alves – Fiquei em estado de choque, vendo todas aquelas pessoas no chão, feridas. Fico
desapontado, pois a vida foi colocada em último lugar.
IHU On-Line – Você não esteve presente na última manifestação do Massa Crítica, em Porto Alegre, mas o que a atitude do motorista representa e significa?
Olavo Ludwig Jr. – Essa atitude representa a insanidade social que estamos vivendo. As pessoas se sentem como se estivessem de volta à selva, onde vale a lei do mais forte. A vida cotidiana agitada está gerando muito estresse e o mais forte pode fazer valer a sua vontade.
IHU On-Line – Por que a cultura do automóvel é tão forte no Brasil comparando com outros países do mundo, inclusive a China, que tem uma superpopulação?
Olavo Ludwig Jr. – Na China, as pessoas utilizavam mais a bicicleta por falta de opção do que por consciência. Com a melhora da economia, os chineses estão deixando as bicicletas de lado e aderindo ao automóvel. Já na Europa, o transporte por bicicleta representa mais de 50% do deslocamento diário.
No Brasil, existe um incentivo ao uso do automóvel: a propaganda e a indústria automotiva são muito fortes. O próprio presidente declarou que gostaria de ver cada brasileiro com um carro e o governo, inclusive, reduziu o IPI para facilitar a compra de carros, recentemente.
Em Seul, na Coreia do Sul, o congestionamento no trânsito era enorme até que um engenheiro resolveu propor a destruição da estrada e a revitalização do rio que passava embaixo. Essa seria uma iniciativa interessante para se fazer no Arroio Dilúvio, em Porto Alegre, com uma infraestrutura dirigida às pessoas e não ao automóvel.
Na minha avaliação, a iniciativa de Seul mostrou que o trânsito se comporta como um gás e não como um líquido, fazendo uma analogia física. Quanto mais vias se abrem para o líquido, mais ele flui. No trânsito, ocorre o contrário: quanto mais vias se disponibilizam para o transporte de automóveis, mais aumenta o tráfego. Além do mais, ao construir novas estradas, túneis e aumentar as vias das estradas, os governos estão incentivando o uso do automóvel. Se diminuíssem o espaço para carros, diminuiria o trânsito. Foi isso que aconteceu em Seul: as pessoas passaram a utilizar mais transporte público e bicicleta para se deslocarem.
IHU On-Line – Como vê a relação carro/ciclista no trânsito das cidades?
Olavo Ludwig Jr. – A relação é tensa porque o ciclista, para poder andar na rua, precisa ter muita atenção, pois o motorista de automóvel é despreparado. É muito fácil conseguir habilitação para dirigir e vejo muitos motoristas dirigindo como se estivessem sentados no sofá da sala assistindo televisão.
Ciclistas e motoristas devem ter consciência no trânsito. Eles têm de entender que a bicicleta também é um meio de transporte. O básico que o motorista precisa saber é que ele deve diminuir a velocidade ao passar por uma bicicleta e manter uma distância de um metro e meio: isso é garantido por lei. A maioria dos motoristas respeita os ciclistas, mas cerca de 5% não respeitam, o que representa milhares de carros.
Paulo Alves – O gaúcho é grosso por natureza, mas não podemos ser ignorantes e egoístas. Entretanto, é assim que muitos se comportam no trânsito; não há respeito mútuo, pois o ciclista também tem que fazer a sua parte e vice-versa.
IHU On-Line – Hoje o cotidiano é mais agitado se comparado com outros anos. Como conciliar essa vida acelerada, marcada pela mobilidade tecnológica com menos carros?
Olavo Ludwig Jr. – Vejo nessa relação uma contradição. A tecnologia avança e a nossa vida fica ainda mais agitada. Deveria ser ao contrário: a tecnologia deveria nos proporcionar tempo para realizar atividades que realmente são importantes na vida, em vez de trabalhar exaustivamente e assumir ainda mais compromissos.
De qualquer modo, o carro não é a solução para o deslocamento. Se cada pessoa tiver um carro, o trânsito ficará ainda mais lento. A solução desse problema é o investimento em transporte público eficiente.
IHU On-Line – Em que consistiria uma política pública adequada para o setor de transportes ecológicos?
Paulo Alves – Porto Alegre já tem um plano diretor cicloviário, o qual apresenta uma série de ações para incentivar os transportes não poluentes, como instalação de bicicletários, educação de trânsito específica e campanhas de saúde.
IHU On-Line – Qual a viabilidade de utilizar a bicicleta como meio de transporte, considerando a atual engenharia das cidades?
Paulo Alves – A bicicleta é um veículo, e como tal tem o direito de compartilhar a pista com os veículos automotores. Ocorre que as vias estão cada vez mais estreitas, pois onde antes era uma avenida com duas faixas, hoje é uma avenida com três faixas. Essas mudanças não deixam espaço para outro modal.
IHU On-Line – É possível pensar uma cidade sem carros?
Paulo Alves – Acredito que o carro é uma ferramenta de grande utilidade, mas deve ser usado com propósitos sociais – dar carona seria uma delas – ou até mesmo deixar o carro em casa um ou mais dias da semana. Só assim podemos ter uma cidade com menos carros.
IHU On-Line – Qual é a adesão do público gaúcho ao movimento Massa Crítica? Como vê a conscientização da população em relação à ecologia e sustentabilidade?
Olavo Ludwig Jr. – As pessoas estão apoiando o movimento e ele está crescendo. No início dos anos 2000, vários ciclistas participavam do bicicletada, um encontro de pessoas que gostavam de passear de bicicleta. Em 2008, aderimos ao movimento Massa Crítica e passamos a nos reunir na última sexta-feira do mês, no final do dia. Primeiramente, participavam oito integrantes e, a partir de 2010, novas pessoas começaram a participar. Nos últimos encontros, reunimos cerca de 120, 150 pessoas. A cada dia aumenta mais essa consciência ecológica. O Massa Crítica é um movimento de paz, no qual as pessoas querem reivindicar segurança e por isso andam em grupo.
A maioria da população utiliza o transporte público ou a bicicleta, por isso, cabe ao governo incentivar o uso desses transportes alternativos. Quando tiver um transporte público adequado, de qualidade, as pessoas se darão conta de que é melhor se locomover com transporte público e que é mais agradável andar de bicicleta.
Paulo Alves – Em pesquisa realizada por nossa associação, foi relatado que 85% das pessoas que possuem carro também possuem ou já tiveram bicicleta. A bicicleta aproxima as pessoas, não agride. Acho que Porto Alegre deve ser um exemplo em cidadania, pois muita gente acredita que a bicicleta é o transporte do futuro.
IHU On-Line – Você utiliza a bicicleta inclusive para trabalhar?
Olavo Ludwig Jr. – Desde 2007 utilizo a bicicleta como principal meio de transporte. Moro no bairro IAPI e trabalho no Menino Deus. Percorro dez quilômetros para ir e dez para voltar. Inclusive quando chove, vou de bicicleta. Todas as crianças adoram tomar banho de chuva; nós adultos é que ficamos nojentos com o passar do tempo.
Tenho sorte de trabalhar em uma instituição que oferece vestiário, onde posso tomar um banho e trocar de roupa antes de trabalhar. Com deslocamentos menores, as pessoas não transpiram tanto e nem precisariam trocar de roupa para trabalhar. Penso que, quando as pessoas têm vontade de utilizar um meio de transporte ecológico como a bicicleta, elas não procuram justificativas para continuar se deslocando de carro.
No imaginário coletivo ainda está presente a ideia de que quem anda de bicicleta é pobre, operário e não tem dinheiro para comprar um carro. Muitos também acham que, porque as pessoas não têm dinheiro para comprar um automóvel, ela não tem o mesmo valor do que aquelas que têm dinheiro para comprar um carro. Infelizmente, o automóvel ainda representa status social. Quanto mais dinheiro a pessoa ganha, maior é o carro. As pessoas se utilizam do automóvel para mostrar que são bem sucedidas. Felizmente essa ideia está mudando e pessoas ricas também estão utilizando a bicicleta por opção. Aos poucos vamos mudar essa ideia de quem é rico usa carro e quem é pobre usa bicicleta.
O fato reabriu a discussão sobre a violência no trânsito, a mobilidade urbana, a relação de respeito entre ciclistas e motoristas de automóveis, além de suscitar a conscientização ecológica do uso da bicicleta como meio de transporte.
Olavo Ludwig Jr., integrante do Massa Crítica, movimento responsável pela organização da manifestação, há quatro anos utiliza a bicicleta como principal meio de transporte e, diariamente, percorre cerca de 20 quilômetros. Ele não participou do último encontro, mas disse que a atitude do motorista representa “a insanidade social que estamos vivendo. As pessoas se sentem como se estivessem de volta à selva, onde vale a lei do mais forte”. Em entrevista à IHU On-Line, por telefone, ele fala da falta de conscientização da população e menciona que, no Brasil, o automóvel ainda é sinônimo de status social. “Quanto mais dinheiro a pessoa ganha, maior é o carro. (...) Infelizmente, no imaginário coletivo ainda está presente a ideia de que quem anda de bicicleta é pobre, operário e não tem dinheiro para comprar um carro e, por isso, teria menos valor de quem está de carro.”
Olavo Ludwig Jr. é formado em Física pela Universidade Federal do Rio Grade do Sul (UFRGS) e trabalha no controle de qualidade da água, no Departamento de Água e Esgoto (Demae).
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Qual é a origem do movimento Massa Crítica? Que reflexões vocês propõem para a sociedade a partir do encontro de ciclistas?
Olavo Ludwig Jr.– O movimento surgiu em São Francisco, nos EUA, em 1992, quando oito ciclistas se reuniram e foram pedalar pelas ruas da cidade. A cada mês, mais pessoas começaram a aderir ao movimento e hoje há adeptos no mundo todo, inclusive em Budapeste, onde existe o maior número de ciclistas: 50 mil.
A ideia do Massa Crítica é celebrar o uso da bicicleta. Normalmente as pessoas já a utilizam como meio de transporte e, em um dia especifico do mês, se reúnem para mostrar à sociedade que existe vida além do automóvel. Dizem que o carro é uma necessidade, mas queremos mostrar que essa necessidade é superestimada e existem alternativas a esse meio de transporte.
IHU On-Line – Como e com que objetivo surgiu a Associação Ciclística da Zona Sul (ACZS)?
Paulo Alves – A ACZS surgiu em 1994, na zona sul de Porto Alegre, nos bairros Tristeza e Ipanema, tendo o objetivo principal de preservar os morros da zona sul. Com o passar dos anos, começamos a incentivar o uso da bike como transporte. Hoje estamos mais do que nunca empenhados com a educação de trânsito voltada para ciclistas e motoristas.
IHU On-Line – Você estava presente no dia do atropelamento de vários ciclistas, em Porto Alegre? Pode nos contar como tudo aconteceu?
Paulo Alves – Sim. Vi quando o carro tentou passar pela primeira vez, onde foi impedido pela massa. Logo após, teve discussão, mas não houve violência contra o veículo. Duas quadras para frente, ele acelerou, foi quando ouvi um barulho diferente que me chamou a atenção. Não tive reação e o automóvel passou a menos de um metro da minha pessoa.
IHU On-Line – Qual sua sensação diante do atropelamento?
Paulo Alves – Fiquei em estado de choque, vendo todas aquelas pessoas no chão, feridas. Fico
desapontado, pois a vida foi colocada em último lugar.
IHU On-Line – Você não esteve presente na última manifestação do Massa Crítica, em Porto Alegre, mas o que a atitude do motorista representa e significa?
Olavo Ludwig Jr. – Essa atitude representa a insanidade social que estamos vivendo. As pessoas se sentem como se estivessem de volta à selva, onde vale a lei do mais forte. A vida cotidiana agitada está gerando muito estresse e o mais forte pode fazer valer a sua vontade.
IHU On-Line – Por que a cultura do automóvel é tão forte no Brasil comparando com outros países do mundo, inclusive a China, que tem uma superpopulação?
Olavo Ludwig Jr. – Na China, as pessoas utilizavam mais a bicicleta por falta de opção do que por consciência. Com a melhora da economia, os chineses estão deixando as bicicletas de lado e aderindo ao automóvel. Já na Europa, o transporte por bicicleta representa mais de 50% do deslocamento diário.
No Brasil, existe um incentivo ao uso do automóvel: a propaganda e a indústria automotiva são muito fortes. O próprio presidente declarou que gostaria de ver cada brasileiro com um carro e o governo, inclusive, reduziu o IPI para facilitar a compra de carros, recentemente.
Em Seul, na Coreia do Sul, o congestionamento no trânsito era enorme até que um engenheiro resolveu propor a destruição da estrada e a revitalização do rio que passava embaixo. Essa seria uma iniciativa interessante para se fazer no Arroio Dilúvio, em Porto Alegre, com uma infraestrutura dirigida às pessoas e não ao automóvel.
Na minha avaliação, a iniciativa de Seul mostrou que o trânsito se comporta como um gás e não como um líquido, fazendo uma analogia física. Quanto mais vias se abrem para o líquido, mais ele flui. No trânsito, ocorre o contrário: quanto mais vias se disponibilizam para o transporte de automóveis, mais aumenta o tráfego. Além do mais, ao construir novas estradas, túneis e aumentar as vias das estradas, os governos estão incentivando o uso do automóvel. Se diminuíssem o espaço para carros, diminuiria o trânsito. Foi isso que aconteceu em Seul: as pessoas passaram a utilizar mais transporte público e bicicleta para se deslocarem.
IHU On-Line – Como vê a relação carro/ciclista no trânsito das cidades?
Olavo Ludwig Jr. – A relação é tensa porque o ciclista, para poder andar na rua, precisa ter muita atenção, pois o motorista de automóvel é despreparado. É muito fácil conseguir habilitação para dirigir e vejo muitos motoristas dirigindo como se estivessem sentados no sofá da sala assistindo televisão.
Ciclistas e motoristas devem ter consciência no trânsito. Eles têm de entender que a bicicleta também é um meio de transporte. O básico que o motorista precisa saber é que ele deve diminuir a velocidade ao passar por uma bicicleta e manter uma distância de um metro e meio: isso é garantido por lei. A maioria dos motoristas respeita os ciclistas, mas cerca de 5% não respeitam, o que representa milhares de carros.
Paulo Alves – O gaúcho é grosso por natureza, mas não podemos ser ignorantes e egoístas. Entretanto, é assim que muitos se comportam no trânsito; não há respeito mútuo, pois o ciclista também tem que fazer a sua parte e vice-versa.
IHU On-Line – Hoje o cotidiano é mais agitado se comparado com outros anos. Como conciliar essa vida acelerada, marcada pela mobilidade tecnológica com menos carros?
Olavo Ludwig Jr. – Vejo nessa relação uma contradição. A tecnologia avança e a nossa vida fica ainda mais agitada. Deveria ser ao contrário: a tecnologia deveria nos proporcionar tempo para realizar atividades que realmente são importantes na vida, em vez de trabalhar exaustivamente e assumir ainda mais compromissos.
De qualquer modo, o carro não é a solução para o deslocamento. Se cada pessoa tiver um carro, o trânsito ficará ainda mais lento. A solução desse problema é o investimento em transporte público eficiente.
IHU On-Line – Em que consistiria uma política pública adequada para o setor de transportes ecológicos?
Paulo Alves – Porto Alegre já tem um plano diretor cicloviário, o qual apresenta uma série de ações para incentivar os transportes não poluentes, como instalação de bicicletários, educação de trânsito específica e campanhas de saúde.
IHU On-Line – Qual a viabilidade de utilizar a bicicleta como meio de transporte, considerando a atual engenharia das cidades?
Paulo Alves – A bicicleta é um veículo, e como tal tem o direito de compartilhar a pista com os veículos automotores. Ocorre que as vias estão cada vez mais estreitas, pois onde antes era uma avenida com duas faixas, hoje é uma avenida com três faixas. Essas mudanças não deixam espaço para outro modal.
IHU On-Line – É possível pensar uma cidade sem carros?
Paulo Alves – Acredito que o carro é uma ferramenta de grande utilidade, mas deve ser usado com propósitos sociais – dar carona seria uma delas – ou até mesmo deixar o carro em casa um ou mais dias da semana. Só assim podemos ter uma cidade com menos carros.
IHU On-Line – Qual é a adesão do público gaúcho ao movimento Massa Crítica? Como vê a conscientização da população em relação à ecologia e sustentabilidade?
Olavo Ludwig Jr. – As pessoas estão apoiando o movimento e ele está crescendo. No início dos anos 2000, vários ciclistas participavam do bicicletada, um encontro de pessoas que gostavam de passear de bicicleta. Em 2008, aderimos ao movimento Massa Crítica e passamos a nos reunir na última sexta-feira do mês, no final do dia. Primeiramente, participavam oito integrantes e, a partir de 2010, novas pessoas começaram a participar. Nos últimos encontros, reunimos cerca de 120, 150 pessoas. A cada dia aumenta mais essa consciência ecológica. O Massa Crítica é um movimento de paz, no qual as pessoas querem reivindicar segurança e por isso andam em grupo.
A maioria da população utiliza o transporte público ou a bicicleta, por isso, cabe ao governo incentivar o uso desses transportes alternativos. Quando tiver um transporte público adequado, de qualidade, as pessoas se darão conta de que é melhor se locomover com transporte público e que é mais agradável andar de bicicleta.
Paulo Alves – Em pesquisa realizada por nossa associação, foi relatado que 85% das pessoas que possuem carro também possuem ou já tiveram bicicleta. A bicicleta aproxima as pessoas, não agride. Acho que Porto Alegre deve ser um exemplo em cidadania, pois muita gente acredita que a bicicleta é o transporte do futuro.
IHU On-Line – Você utiliza a bicicleta inclusive para trabalhar?
Olavo Ludwig Jr. – Desde 2007 utilizo a bicicleta como principal meio de transporte. Moro no bairro IAPI e trabalho no Menino Deus. Percorro dez quilômetros para ir e dez para voltar. Inclusive quando chove, vou de bicicleta. Todas as crianças adoram tomar banho de chuva; nós adultos é que ficamos nojentos com o passar do tempo.
Tenho sorte de trabalhar em uma instituição que oferece vestiário, onde posso tomar um banho e trocar de roupa antes de trabalhar. Com deslocamentos menores, as pessoas não transpiram tanto e nem precisariam trocar de roupa para trabalhar. Penso que, quando as pessoas têm vontade de utilizar um meio de transporte ecológico como a bicicleta, elas não procuram justificativas para continuar se deslocando de carro.
No imaginário coletivo ainda está presente a ideia de que quem anda de bicicleta é pobre, operário e não tem dinheiro para comprar um carro. Muitos também acham que, porque as pessoas não têm dinheiro para comprar um automóvel, ela não tem o mesmo valor do que aquelas que têm dinheiro para comprar um carro. Infelizmente, o automóvel ainda representa status social. Quanto mais dinheiro a pessoa ganha, maior é o carro. As pessoas se utilizam do automóvel para mostrar que são bem sucedidas. Felizmente essa ideia está mudando e pessoas ricas também estão utilizando a bicicleta por opção. Aos poucos vamos mudar essa ideia de quem é rico usa carro e quem é pobre usa bicicleta.
Fonte: Envolverde/IHU On-Line
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